Irã cria grupos de trabalho para programa nuclear e sanções para avançar em tratativas
Teerã também negou novas concessões sobre inspeções da AIEA
O governo iraniano anunciou nesta terça-feira (23) a criação de grupos de trabalho para avançar nas negociações com os Estados Unidos, após a conclusão de uma rodada de conversas técnicas realizada na Suíça.
Segundo a agência estatal iraniana Irna, os negociadores decidiram estabelecer equipes dedicadas a quatro áreas: levantamento de sanções, questões nucleares, reconstrução e desenvolvimento econômico, além de monitoramento e implementação dos acordos.
A informação foi confirmada pelo vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi.
As discussões fazem parte dos esforços para se chegar a uma solução duradoura para o conflito entre as partes. Ontem (22), o Irã e os Estados Unidos já haviam dado um passo significativo em suas negociações diplomáticas ao concordarem com a criação de um canal direto de comunicação destinado a evitar incidentes e garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o comércio global de petróleo.
As partes também estabeleceram um roteiro para alcançar um acordo final em até 60 dias.
Paralelamente, o Ministério das Relações Exteriores do Irã reafirmou que não assumiu novos compromissos em relação às inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
O porta-voz da pasta, Esmaeil Baghaei, declarou que qualquer interação com a agência seguirá estritamente as normas estabelecidas pelo Parlamento iraniano e pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional.
A declaração foi uma resposta às afirmações do vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, de que Teerã teria concordado em permitir o retorno de inspetores da AIEA durante as negociações na Suíça. No entanto, segundo Baghaei, nenhuma nova concessão foi feita nesse sentido.
O porta-voz iraniano também afirmou que Teerã não pretende autorizar inspeções da AIEA em instalações nucleares que tenham sido danificadas por ataques atribuídos a Israel e aos Estados Unidos.
Além disso, enfatizou que não houve reuniões recentes entre representantes iranianos e a direção da agência internacional, nem estão previstas visitas aos locais atingidos.
"Não realizamos nenhuma reunião com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica e não prevemos que a agência inspecione as instalações nucleares iranianas danificadas pela agressão militar americana e sionista", reiterou.
Hoje, outro anúncio relevante também foi feito pelo principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que informou ter sido alcançado um acordo com os Estados Unidos para o desbloqueio de US$ 12 bilhões em fundos iranianos congelados no exterior.
De acordo com informações divulgadas pela emissora Al Jazeera e por veículos da região, os recursos seriam liberados em duas parcelas de US$ 6 bilhões. .
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