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Flávio Bolsonaro reage após ameaça de novas tarifas do governo Trump: 'Pedi para não taxar nossas empresas'

Governo americano ameaça impor sobretaxa de 25% a produtos brasileiros em julho, caso negociações com a gestão Lula não avancem.

2 jun 2026 - 10h37
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Flávio Bolsonaro se encontrou com Trump na Casa Branca na terça-feira (27/5)
Flávio Bolsonaro se encontrou com Trump na Casa Branca na terça-feira (27/5)
Foto: Reprodução/Instagram/@FlavioBolsonaro / BBC News Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais na manhã desta terça-feira (02/06) que é contra a imposição de novas tarifas para compra de produtos importados que os Estados Unidos planejam adotar contra o Brasil.

"Sempre defendi as empresas brasileiras e, em qualquer oportunidade que tiver, vou continuar a defender nosso setor produtivo. Pedi expressamente ao presidente Trump para não taxar nossas empresas. Tarifa não é solução. Precisamos sentar de maneira séria na mesa de negociação, não com bravatas, como faz Lula", disse Flávio.

A declaração surgiu após a gestão do republicano concluir, na segunda-feira (01/06), uma grande investigação comercial contra o Brasil segundo a qual certas práticas do governo brasileiro são "irrazoáveis" e "oneram ou restringem o comércio dos Estados Unidos".

O documento propõe tarifas retaliatórias de 25% a produtos brasileiros. Essas medidas, no entanto, ainda não foram definidas e serão discutidas ao longo das próximas semanas.

As práticas condenadas por Trump são relacionadas ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

O governo americano agora recebe consultas do público até o dia 1º de julho sobre as medidas para que, no dia 6 do mesmo mês, haja uma audiência pública.

O representante-geral de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, disse que teve "reuniões construtivas" que "se intensificaram nas últimas semanas" com os presidentes Lula e Trump e que espera dar continuidade a esse diálogo com o governo brasileiro até 15 de julho, antes de adotar qualquer medida.

"No entanto, continuamos enfrentando divergências significativas na resolução das questões identificadas nesta investigação", disse Greer, em nota.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro na Casa Branca, em Washington
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro na Casa Branca, em Washington
Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação / BBC News Brasil

Investigações comerciais e organizações terroristas

Em julho do ano passado, o governo americano abriu essa investigação comercial com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um instrumento legal que permite a Washington apurar práticas estrangeiras consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos americanos.

O procedimento, conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), pode resultar em medidas de retaliação, como a imposição de tarifas adicionais sobre exportações brasileiras.

Isso também surge em paralelo à declaração, por parte do governo americano, das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais.

Na prática, segundo analistas ouvidos pela reportagem, isso abre uma série de brechas para intervenções dos Estados Unidos no Brasil — não apenas militares, o que os especialistas consideram improvável, mas financeiras, que são vistas com preocupação por parte da administração petista.

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