Violência ofusca protestos e deixa mais de 1.800 detidos na França
A França avalia neste domingo (18) a extensão dos danos após a violência "inédita" que ofuscou a mobilização contra o alto custo de vida. A manifestação de sábado reuniu em todo o país ao menos 550 mil pessoas, mas os protestos foram marcados por confrontos, saques e depredações que resultaram em mais de 1.800 detenções e deixaram centenas de feridos. Ao um manifestante morreu em Paris de parada cardíaca. O presidente Emmanuel Macron fará um pronunciamento à nação na noite deste domingo.
Protestos na França contra o custo de vida reuniram centenas de milhares de pessoas e terminaram em violência inédita, com mais de 1.800 detidos, centenas de feridos e uma morte. Os atos deixaram comércios destruídos e a prefeitura de Limoges incendiada, gerando prejuízos milionários. A crise provocou forte reação política, com a oposição exigindo a renúncia do ministro do Interior e o governo convocando reuniões emergenciais, enquanto sindicatos já articulam uma greve geral para novembro.
As cenas nas ruas das principais cidades francesas na manhã deste domingo eram de desolação. Carros incendiados e barreiras com bicicletas, grades e mobiliário urbano lembravam a violência ocorrida à margem dos protestos de sábado contra o alto custo de vida, a degradação dos serviços públicos e em defesa da educação. As autoridades falam em violência "inédita".
Convocados por uma ampla coalizão formada por ex-integrantes do movimento dos "coletes amarelos", estudantes, sindicatos, agricultores e ativistas climáticos, os atos ocorreram a seis meses da eleição presidencial francesa. Os organizadores estimam que cerca de 800 mil pessoas participaram das mobilizações, enquanto o Ministério do Interior fala em 550 mil manifestantes, incluindo 110 mil apenas em Paris.
Segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez, mais de 1.800 pessoas foram detidas em todo a França. Somente na capital francesa, foram mais 855 pessoas detidos, um número considerado recorde pelas autoridades. Em Paris, 517 suspeitos permaneciam sob custódia policial neste domingo, entre eles 171 menores de idade. As detenções foram motivadas principalmente por acusações de saques, vandalismo, receptação de mercadorias roubadas e associação para a prática de violência.
Um morto e centenas de feridos
O balanço provisório também aponta mais de 500 policiais, gendarmes e bombeiros feridos durante os confrontos. Os protestos também deixaram ao menos uma vítima fatal. De acordo com a polícia, um manifestante morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória enquanto acompanhava o cortejo autorizado, em Paris. Perto de Lyon, no centro-sul do país, um manifestante teve a mão mutilada por um granada lançada pelos policiais.
Os prejuízos materiais ainda estão sendo avaliados, mas a Federação do Comércio e da Distribuição estima que cerca de 1.500 estabelecimentos comerciais tenham sido diretamente afetados. Segundo a entidade, os danos podem atingir centenas de milhões de euros.
Na cidade de Limoges, no centro-oeste do país, a prefeitura foi incendiada durante os distúrbios. O prefeito Guillaume Guérin criticou a atuação das forças de segurança e afirmou que a polícia não dispunha dos recursos necessários para conter os grupos responsáveis pelos ataques. Parte significativa do edifício histórico, construído no século XIX, foi destruída pelas chamas.
Oposição pede a demissão do ministro do Interior
A repercussão política dos acontecimentos foi imediata. A líder do partido Ecologistas e candidata à Presidência, Marine Tondelier, pediu a renúncia do ministro do Interior. Ela acusa Nuñez de ter subestimado a dimensão da mobilização e de não ter preparado um esquema de segurança adequado.
Diante da crise, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu convocou uma reunião interministerial para este domingo. O governo pretende discutir medidas de apoio aos comerciantes afetados, mecanismos de indenização por meio das seguradoras e o acompanhamento judicial dos casos de vandalismo e saque. Em seguida, o presidente Emmanuel Macron fará um pronunciamento à nação.
Apesar da violência registrada à margem dos protestos, organizações envolvidas na mobilização já convocam novas ações. Lideranças do movimento defendem a continuidade dos bloqueios e uma greve nacional a partir de 5 de novembro. As principais centrais sindicais francesas também anunciaram uma jornada de paralisações e manifestações na mesma data.
Com agências
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