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Temperaturas acima de 35°C atingem milhões de pessoas na Europa; ONU diz que no futuro será pior

Pelo menos 94 milhões de pessoas na Europa devem enfrentar temperaturas acima de 35°C em algum momento desta quarta-feira (24), a maioria na França e na Espanha. Um especialista da ONU em mudanças climáticas afirma que, "inevitavelmente", as temperaturas serão ainda mais elevadas no futuro.

24 jun 2026 - 11h43
(atualizado às 12h20)
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No total, as temperaturas máximas devem superar os 30°C para mais de 350 milhões de pessoas na Europa, o equivalente a quase dois terços da população do continente. A Turquia é um dos poucos países que escapa do forte calor.

Pessoas se protegem do sol com um guarda-chuva perto da Torre Eiffel, enquanto as temperaturas sobem em Paris durante a segunda onda de calor que afeta grande parte da França. Em 20 de junho de 2026.
Pessoas se protegem do sol com um guarda-chuva perto da Torre Eiffel, enquanto as temperaturas sobem em Paris durante a segunda onda de calor que afeta grande parte da França. Em 20 de junho de 2026.
Foto: REUTERS - Sarah Meyssonnier / RFI

A análise, feita pela AFP, baseada em previsões do Serviço Meteorológico Alemão e em projeções populacionais para 2025 do Centro Comum de Investigação (Common Research Centre), está alinhada aos dados da ONG austríaca Klimadashboard.

A França registrou seu recorde de temperatura máxima média na terça-feira (23), informou a agência Météo-France nesta quarta. O Indicador Térmico Nacional (ITN), que corresponde à média das temperaturas máximas registradas em 30 estações francesas de referência, atingiu 38,2°C, superando o recorde anterior de 37,7°C, registrado em 5 de agosto de 2003. O calor extremo provocou um incêndio em um transformador, deixando 68 mil residências sem energia elétrica no noroeste do país.

A onda de calor também provocou um aumento sem precedentes na procura por serviços de emergência no início desta semana. O pico, raramente observado entre pessoas de todas as faixas etárias, foi especialmente significativo entre a população de 15 a 44 anos, informou a agência francesa de saúde pública.

De acordo com relatório semanal divulgado pelo órgão, o número de atendimentos de emergência, especialmente por insolação, triplicou entre 21 e 22 de junho. Já as consultas nos prontos-socorros quadruplicaram no mesmo período.

Calor se propaga

No Reino Unido, o alerta vermelho para calor extremo entrou em vigor na manhã desta quarta-feira em várias regiões e permanecerá válido até a noite de quinta-feira.

Na Áustria, o alerta máximo para onda de calor foi emitido para o fim de semana e dura até segunda-feira no leste do país, incluindo Viena, além de diversas cidades do sul. Nessas áreas, onde os termômetros podem ultrapassar os 40°C, as autoridades recomendam que a população permaneça em casa durante as horas mais quentes do dia.

Nem mesmo os países escandinavos são poupados. A Dinamarca também está sendo afetada pela onda de calor e entrará em alerta laranja - o segundo nível mais alto - na sexta-feira, segundo informou hoje o Instituto Meteorológico Dinamarquês (DMI). O alerta deve permanecer em vigor até a noite de domingo.

Durante o fim de semana, as temperaturas, que variavam entre 23°C e 28°C na tarde desta quarta, poderão atingir 35°C, sobretudo nas regiões sul e leste do país.

"Inevitável", segundo o IPCC

"Inevitavelmente, viveremos episódios ainda mais intensos do que os observados nos últimos dias", alertou Jim Skea, presidente do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU. Segundo ele, o aquecimento registrado atualmente em algumas regiões e nos oceanos vem superando as projeções dos cientistas. 

"O aquecimento dos dias mais quentes é maior do que o aquecimento das temperaturas médias. Esse aumento varia entre 50% e 100%. Portanto, se o planeta aquecer 2°C, o dia mais quente do ano poderá ser 3°C ou até 3,5°C mais quente", explicou, em encontro com jornalistas.

"É exatamente o tipo de fenômeno que prevemos há muito tempo", afirmou Skea sobre a onda de calor. 

"As mensagens que tenho recebido de pesquisadores das ciências físicas indicam que o que estamos observando está no limite da faixa de possibilidades considerada pelo IPCC", disse o especialista em energia sustentável. "Mas há uma nuance importante: alguns fenômenos observados em escala regional, assim como determinados indicadores oceânicos, e não atmosféricos, sugerem que já ultrapassamos esse limite", acrescentou.

Outra agência da ONU, a Organização Mundial da Saúde (OMS), defendeu mais investimentos em "sistemas de saúde resilientes ao clima".

"Os líderes devem priorizar investimentos em sistemas de saúde resilientes às mudanças climáticas, ao mesmo tempo que aceleram a ação climática e mitigam os fatores que impulsionam a crise climática", escreveu o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na plataforma X.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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