Morre aos 93 anos Bernadette Chirac, uma das ex-primeiras-damas mais populares da França
A morte de Bernadette Chirac, nesta sexta-feira (5) de junho, aos 93 anos, foi anunciada neste sábado (6) por sua filha Claude Chirac. Esposa do ex-presidente Jacques Chirac por mais de 60 anos, ela também era conhecida pela sua influência política nos bastidores do poder. O presidente francês, Emmanuel Macron, prestou homenagem a Bernadette Chirac, descrevendo-a como "uma mulher com um imenso coração" que "marcou nossa história".
Christophe Carmarans, da RFI em Paris
A ex-primeira-dama morreu em paz, "cercada pelos seus". Muito debilitada há vários anos, sua última aparição oficial havia ocorrido em 2017, no funeral de Simone Veil, ex-ministra da Saúde, conhecida por liderar a legalização do aborto na França em 1975. Com a saúde fragilizada, Bernadette Chirac não pôde participar das diversas homenagens prestadas a seu marido, Jacques Chirac, morto em 26 de setembro de 2019. Ela passou os últimos anos de vida reclusa em sua residência em Paris.
A ex-primeira-dama casou-se em 1956 com o então futuro presidente da República e revelou-se, ao longo dos anos, uma figura política de destaque, passando do papel de "esposa de" para o de conselheira influente. Eleita conselheira geral da Corrèze por seis vezes entre 1979 e 2011, ela morou no Palácio do Eliseu durante doze anos ao lado do marido e se tornou popular entre os franceses graças a suas ações de caridade, apesar da forte personalidade que lhe rendeu a fama de "difícil".
Foi em outubro de 1951 que Bernadette Chodron de Courcel, nascida em 18 de maio de 1933, conheceu Jacques Chirac na faculdade Sciences Po, em Paris. O futuro presidente já era conhecido pelo sucesso que fazia entre as mulheres. A família de Bernadette não aprovava o namoro.
Descendentes da antiga nobreza francesa, os Chodron de Courcel viam com maus olhos o relacionamento da filha mais velha com Chirac, filho de um funcionário de banco, que era um aluno brilhante, mas sem fortuna e considerado orgulhoso. Católicos fervorosos, ficaram escandalizados ao descobrir que o futuro genro frequentou reuniões comunistas em Paris por um breve período.
O casamento acabou acontecendo em março de 1956, mas com a condição de que fosse uma cerimônia discreta, realizada apenas na capela anexa da basílica Sainte-Clotilde. Quinze dias depois, a jovem esposa já se viu sozinha: seu marido, então subtenente, foi convocado para servir na Argélia. Ao retornar no ano seguinte, Jacques retomou seus estudos na Escola Nacional de Administração (ENA), conhecida por ser um celeiro de futuros chefes de Estado, onde havia sido admitido antes do casamento.
Como parceira dedicada, Bernadette aprendeu datilografia para ajudá-lo a preparar seu material de estudo. Foi nesse período que nasceram as duas filhas biológicas do casal: Laurence, em 1958, e Claude, em 1962. Mais tarde, a família cresceu com a adoção da refugiada vietnamita Ahn Dao Traxel, considerada "filha de coração", acolhida em 1979, aos 21 anos.
Laurence, que sofria de anorexia após uma meningite em 1973, nunca levou uma vida normal e morreu em 2016. Claude, por sua vez, tornou-se assessora de imprensa do pai e manteve-se sempre muito próxima dele. Durante a ascensão política de Jacques Chirac, que foi deputado e secretário de Estado aos 34 anos, ministro aos 38 e primeiro-ministro aos 41, Bernadette manteve a imagem de esposa discreta, já que era difícil concorrer com o marido carismático e conhecido por seus adultérios.
"As mulheres eram muitas, eu conheço todas", confessou ela em um livro de entrevistas publicado em 2001.
Carreira política e popularidade
Determinada a trilhar seu próprio caminho, ela entrou na política em 1971, como vereadora em Sarran, na Corrèze, no centro da França, onde o casal havia comprado o castelo de Bity. Foi lá que construiu sua carreira política e, em 1979, tornou-se conselheira geral, sendo a primeira mulher a ocupar o cargo na região.
Reeleita várias vezes até 2011, sempre beneficiada por sua notoriedade, consolidou-se como figura política local importante. Paralelamente, destacou-se nas ações sociais, especialmente após a doença da filha, que a sensibilizou para as dificuldades do sistema público de saúde e dos hospitais.
Em 1994, passou a liderar projetos filantrópicos e a operação Pièces Jaunes (Moedas Amarelas, em tradução livre), destinada a financiar iniciativas para pacientes hospitalizados. A ação de caridade foi um enorme sucesso e decisiva para sua popularidade.
Após a eleição de Jacques Chirac em 1995, Bernadette assumiu o papel de primeira-dama. Diferentemente de outras, envolveu-se ativamente na vida política e tornou-se uma conselheira influente, considerada por seu marido como um "ponto de referência".
Ela se posicionou em decisões importantes, como a escolha de Jean-Pierre Raffarin como primeiro-ministro em 2002. Segundo a jornalista Pascale Tournier, autora de uma biografia sobre ela, "a partir de 2007 houve uma inversão de papéis entre ela e Jacques Chirac". A autora destaca que Bernadette sofreu por viver à margem do sucesso do marido, mas também soube usar essa posição para ganhar influência.
Em 2023, sua figura foi retratada no cinema em um filme da diretora Léa Domenach. Com sua forte personalidade, conseguiu transformar em vantagem uma vida inicialmente marcada pela discrição e pelas dificuldades, impondo-se, ao seu modo, como uma figura influente e respeitada.
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