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Guerra no Irã testa a supremacia do dólar e reconfigura o sistema financeiro internacional

Nas reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial — realizadas entre abril e maio, no calendário do hemisfério norte —, a guerra no Irã emergiu como um tema central. Além das tensões geopolíticas, o conflito revela um fenômeno importante: o enfraquecimento gradual do papel do dólar no sistema financeiro internacional.

13 abr 2026 - 11h29
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Stéphane Geneste, da RFI 

Um evento crucial está em curso em Washington: as reuniões do FMI e do Banco Mundial. Neste ano, porém, o contexto é particularmente tenso em razão da guerra no Oriente Médio. Uma questão domina as discussões: estamos testemunhando uma mudança no sistema financeiro internacional?

Isso ocorre porque o dólar não é uma moeda como qualquer outra. Trata-se da moeda dominante em todo o mundo. Ele é usado para liquidar grande parte do comércio internacional, especialmente nas transações de petróleo, e funciona como referência para os mercados. Bancos centrais de todo o mundo também o utilizam como reserva de valor.

Essa posição confere aos Estados Unidos um poder considerável, especialmente no setor financeiro. Graças ao dólar, Washington pode excluir certos países do sistema financeiro internacional, por exemplo, por meio de sanções. Por muito tempo, essa ferramenta foi eficiente. Ser privado do dólar significava ficar economicamente isolado.

Mas hoje esse mecanismo mostra suas limitações. A guerra no Irã é uma ilustração expressiva desse processo. Apesar das sanções extremamente severas, o país continuou vendendo seu petróleo. Mais importante ainda, com as tensões no Estreito de Ormuz, Teerã conseguiu impor suas condições para a passagem pela área estratégica. Em outras palavras, mesmo excluído do sistema dominado pelo dólar, um país pode continuar funcionando. Isso revela uma mudança significativa: a aparente onipotência do dólar está se desgastando gradualmente.

Por quê? Porque os países sancionados aprenderam a se adaptar e estão desenvolvendo alternativas. O Irã, por exemplo, vende parte de seu petróleo em yuans, a moeda chinesa. Ao mesmo tempo, redes financeiras alternativas passaram a se expandir — menos visíveis, às vezes ilegais, mas eficazes. Acima de tudo, uma nova tendência está ganhando força: a ascensão das criptomoedas. Elas permitem que o dinheiro seja transferido sem passar pelos canais tradicionais, sem um banco central e, portanto, sem depender diretamente do dólar dos Estados Unidos.

"Desdolarização"

Essa situação pode ter consequências duradouras. Ao usar o dólar como instrumento de pressão, os Estados Unidos desencadearam um efeito inesperado: incentivaram outros países a se afastarem dele. Esse processo é conhecido como desdolarização. Não se trata de um colapso repentino do dólar, mas de uma transformação gradual do sistema.

O mundo financeiro está se tornando mais fragmentado. De um lado, há um sistema ocidental centrado no dólar; de outro, circuitos alternativos, muitas vezes ligados à China. Outras soluções também estão surgindo, como as criptomoedas. O resultado é um cenário com menos regras comuns, mais tensões e maior incerteza — um ambiente que enfraquece a estabilidade da economia global.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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