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Esquerda global se reúne na Espanha na esperança de gerar ressurgimento contra extrema direita

19 abr 2026 - 14h05
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Desde a reforma do Conselho de Segurança da ONU até a taxação ‌de bilionários, milhares de defensores de movimentos de esquerda se reuniram em Barcelona neste fim de semana para pensar em maneiras de deter o crescimento do autoritarismo e reconquistar eleitores que se desviaram para a direita.

O encontro, que atraiu mais de 6.000 pessoas de mais de 40 países, ocorreu em um momento em que as forças de extrema direita e nacionalistas ganharam terreno em todo o mundo, eclipsando a esquerda com mensagens que atribuem as preocupações com o custo de vida à imigração, às instituições ultrapassadas e às elites políticas intocáveis.

Liderada pelo primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sanchez, cuja oposição declarada à política externa do ⁠presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, melhorou sua imagem, a cúpula foi impulsionada por esperanças de que o aumento da extrema-direita possa ter atingido o pico, com ‌a queda dos números de Trump em pesquisas, a destituição de Victor Orban da Hungria após 16 anos no governo e o desempenho fraco da extrema-direita francesa nas eleições municipais do mês passado.

Líderes como o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, e o brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, mobilizaram a multidão com apelos ‌para reformar as organizações internacionais e consolidar novas alianças de esquerda, enquanto a sombra dos ataques ‌de Trump às instituições multilaterais pairava no ar.

"Ser progressista é defender um multilateralismo reformado, em que as regras funcionem para todos", disse Lula, dirigindo-se ⁠a uma plenária de encerramento lotada de apoiadores que agitavam bandeiras vermelhas, usavam bonés "Make Science Great Again" e cantavam hinos antifascistas espanhóis.

PREOCUPAÇÕES COM CUSTO DE VIDA

Os partidos de esquerda que esperam um ressurgimento precisam tratar de questões como o custo de vida, disse Marcus Roberts, presidente-executivo da consultoria de estratégia política Mandate Research.

Uma pesquisa da Ipsos em 30 países, publicada no mês passado, mostrou que os eleitores estão muito mais preocupados com desemprego, inflação, pobreza e desigualdade do que com o aumento do extremismo ou o declínio moral.

De facto, a raiva com o aumento dos preços dos combustíveis devido à guerra no Oriente Médio fez com ‌que os índices de aprovação de Trump despencassem, segundo as pesquisas, no que os estrategistas democratas descreveram como uma janela de oportunidade para apresentar argumentos convincentes sobre a ‌economia antes das eleições de meio de mandato ⁠em novembro.

O economista Gabriel Zucman subiu ao palco ⁠para defender o aumento dos impostos sobre a riqueza de milionários e bilionários, uma política que é extremamente popular em pesquisas na Europa e nos EUA, mas que ⁠foi rejeitada pelos parlamentares em sua França natal.

"É difícil para as pessoas que não têm dinheiro ‌para comprar ovos se preocuparem com a democracia", disse ‌Neera Tanden, ex-assessora dos governos de Joe Biden, Hilary Clinton e Barack Obama e diretora do grupo de estudos Center for American Progress.

Isabel Allende, ex-presidente do Senado do Chile e filha de Salvador Allende, o primeiro líder marxista da América Latina, que foi deposto em 1973 por um golpe militar liderado pelos EUA, advertiu que a esquerda havia se desconectado das preocupações dos cidadãos.

"É inimaginável lutar contra a direita se não conseguirmos nos ⁠aproximar das pessoas comuns", disse ela.

REFORMA DAS INSTITUIÇÕES GLOBAIS

Os participantes que retornaram das reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial disseram que as discussões em Barcelona refletem uma urgência semelhante para reformar o equilíbrio de poder nas instituições globais, embora os detalhes sobre o que viria a seguir não estivessem claros.

"As instituições ainda estão de pé, mas a lógica dentro delas está mudando", disse Mariana Mazzucato, professora de economia que assessora governos e formuladores de políticas sobre como os estados podem usar o investimento público para promover o crescimento.

"Trump ‌está acelerando a crise da velha ordem... mas se os progressistas não oferecerem uma estrutura alternativa confiável, outra pessoa preencherá esse vácuo", disse ela.

Estudos como o índice "Freedom in the World" da Freedom House mostram que o número de governos autoritários cresceu nas últimas duas décadas, pois o aumento de conflitos, ⁠golpes e repressão às liberdades coincidiu com um afastamento dos programas de ajuda externa por parte das democracias ricas, cujas populações se cansaram de enviar fundos para o exterior enquanto enfrentam desafios de custo de vida em casa.

Embora os organizadores tenham afirmado que o evento, organizado por várias redes políticas de esquerda e pelo Partido Socialista da Espanha, não era uma mobilização contra Trump, eles também disseram que a esquerda não pode se dar ao luxo de ficar sentada e esperar por um novo governo dos EUA, com muitos ecoando o apelo do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, para que as "potências médias" se unam.

"Trump se tornou um símbolo da extrema direita. Mas isso tem a ver com a união dos social-democratas. O fato de os democratas norte-americanos estarem tão bem representados é inédito e mostra que esse movimento está crescendo", disse Lars Klingbeil, vice-chanceler da Alemanha e líder dos social-democratas alemães, a jornalistas.

A esquerda e a centro-esquerda norte-americanas tiveram grande destaque na plenária de encerramento do encontro de dois dias, com o ex-candidato à vice-presidência Tim Walz conclamando a multidão a não desistir dos democratas e vozes como Bernie Sanders, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e Hilary Clinton enviando mensagens de vídeo em apoio.

"A realidade é que as ferramentas que a direita está usando para tentar destruir nossa democracia são semelhantes de país para país", disse o senador democrata dos EUA e membro do Comitê de Relações Exteriores, Chris Murphy, em entrevista à Reuters.

"Precisamos compartilhar experiências para entender como podemos revidar", disse ele.

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