Escalada de tensão na Líbia faz Sarraj pedir ajuda exterior
Marechal faz certo contra governo líbio reconhecido pela ONU
O primeiro-ministro do governo de união nacional na Líbia, Fayez al-Sarraj, pediu ajuda à Itália e mais quatro países para conter o cerco a Trípoli liderado pelo marechal Khalifa Haftar.
Além da Itália, Sarraj fez apelo, em cartas, aos Estados Unidos, Reino Unido, Argélia e Turquia, de acordo com representantes líbios reconhecidos pelas Nações Unidas. Sarraj pediu ajuda para "ativar os acordos de cooperação e segurança" para "barrar o ataque a Trípoli conduzido por alguns grupos armados". Ele também solicitou que os cinco países "cooperem com o governo de união nacional na luta contra organizações terroristas, imigração clandestina e traficantes de seres humanos", mas sem citar, diretamente, o Exército Nacional do marechal Khalifa Haftar, que deu um prazo de 72 horas para que as forças aliadas a Sarraj abandonem Trípoli e Sirte.
A Líbia vive instabilidades políticas e divisões desde a queda do ditador Muammar Kadafi, em 2011. Hoje, o país não existe enquanto Estado unitário. Atualmente, Sarraj chefia um governo de união nacional reconhecido internacionalmente pela ONU e que controla a porção oeste da Líbia, incluindo a capital Trípoli. Já Haftar comanda um conjunto de milícias leais a um Parlamento paralelo estabelecido em Tobruk, no leste, que domina a maior parte do território líbio. No primeiro semestre, o marechal iniciou uma ofensiva para conquistar Trípoli, a qual diz estar tomada por "terroristas".
Crítico do Islã político, Haftar é ex-aliado de Kadafi.
Questionado sobre o apelo de Sarraj, o Ministério das Relações Exteriores da Itália disse que a "solução para a crise líbia só pode ser política, e não militar". "Por esse motivo, continuamos rejeitando qualquer tipo de interferência, promovendo um processo de estabilização que seja inclusivo e que passe pelas vias diplomáticas e do diálogo", disseram fontes da Farnesina. Já fontes do governo russo ressaltaram à agência Interfax que temem o aumento de tropas turcas na Líbia. "Uma intervenção militar estrangeira somente deteriorará a situação e fará com que o conflito não seja resolvido", reportou a agência.
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