Embaixador de Israel garante que militantes de flotilha "que não forem ligados ao Hamas" serão libertados
O embaixador de Israel na França garantiu nesta quinta-feira (21) que todos os ativistas franceses e de outras nacionalidades que lutam pela paz em Gaza, atualmente detidos em Israel, serão repatriados para seus países "o mais rápido possível", desde que não tenham ligações com o Hamas. Já a Polônia se somou à lista de países que convocaram a representação diplomática israelense no país, após a divulgação de um vídeo dos detidos em condições humilhantes, por um ministro de Israel.
O embaixador israelense em Paris, Joshua Zarka, explicou à emissora France Info que Tel Aviv "alterou a lei para que pudéssemos permitir" que os militantes "partam o mais rápido possível". "E é isso que será feito não apenas com os franceses, mas com todos os participantes" da flotilha Global Sumud, disse ele.
No entanto, o diplomata frisou que "aqueles que têm ligações diretas com o Hamas serão interrogados e detidos em Israel". Segundo Zarka, alguns dos participantes "têm ligações diretas" com o grupo islâmico palestino, responsável pelos ataques de 7 de outubro de 2023 contra Israel.
Brasil denuncia ações ilegais de Israel
Dos 430 integrantes da flotilha, 37 são cidadãos franceses. Quatro brasileiros estavam na embarcação e estão entre as pessoas detidas pelas autoridades israelenses.
Nesta quarta-feira (20), o Ministério das Relações Exteriores do Brasil emitiu uma nota na qual "deplora o tratamento degradante e humilhante dispensado por autoridades israelenses, em particular pelo ministro da Segurança Interna de Israel, Itamar Ben Gvir, aos participantes da Flotilha Global Sumud". O membro do governo divulgou imagens que causaram indignação na comunidade internacional, mostrando os militantes ajoelhados com as mãos amarradas.
"Ao reiterar seu repúdio à interceptação, em águas internacionais, das embarcações integrantes da flotilha e à detenção de seus participantes - ambas ações ilegais -, o Brasil demanda a libertação imediata de todos os ativistas detidos, incluindo de quatro cidadãos brasileiros, assim como o pleno respeito a seus direitos e a sua dignidade, em linha com os compromissos internacionais assumidos pelo Estado de Israel, a exemplo da Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes", frisou a nota do Itamaraty.
Polônia convoca embaixador
O caso provocou indignação e condenação em todo o mundo. O ministro das Relações Exteriores da Polônia anunciou que convocaria o encarregado de negócios israelense em Varsóvia. "Ordenei a convocação imediata para expressar nossa indignação e exigir um pedido de desculpas pelo comportamento extremamente inadequado de um membro do governo israelense", declarou o chanceler polonês, Radoslaw Sikorski, em sua conta no Twitter.
Paris também convocou o embaixador israelense na França, devido às "ações inaceitáveis" do ministro Itamar Ben Gvir. Joshua Zarka lamentou o ocorrido e classificou a publicação das imagens como "um exercício de relações públicas" para fins eleitorais, por parte do ministro de extrema direita. Ele indicou que a atitude é "contrária aos valores" do Estado de Israel e "até mesmo do judaísmo".
Militantes humilhados
Itália, Holanda, Portugal, Espanha e Canadá também convocaram os embaixadores israelenses em seus países. As imagens mostram agentes israelenses forçando uma ativista ao chão por gritar "Palestina Livre, Palestina Livre".
"Eles vieram como grandes heróis", diz Ben Gvir no vídeo, enquanto segura uma grande bandeira israelense. "Olhem para eles agora. Olhem como eles estão agora, não são heróis, nada disso."
As forças israelenses, que interceptaram os barcos da flotilha na costa do Chipre na segunda-feira, iniciaram na quarta-feira a transferência e a detenção, no sul de Israel, das centenas de ativistas pró-Palestina que estavam a bordo.
A embarcação tentava romper o bloqueio israelense à Faixa de Gaza para entregar ajuda aos moradores do enclave palestino que enfrentam uma crise humanitária, após missões semelhantes anteriores terem fracassado.
Com AFP
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.