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Em discurso de Estado da União, Trump acusa Irã de desenvolver mísseis que poderiam atingir EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez nesta terça-feira (24) o discurso do Estado da União mais longo - uma hora e quarenta e oito minutos - já registrado desde que esse tipo de pronunciamento passou a ser documentado oficialmente, em 1964. A fala ocorreu em um momento de queda nos índices de aprovação, tensões internacionais e forte polarização política no Congresso.

25 fev 2026 - 05h27
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Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York

O discurso foi marcado por protestos no plenário, embates diretos com democratas e recados duros sobre imigração, economia e política externa. Mesmo enfrentando um cenário político adverso, Trump apostou em uma fala extensa, carregada de símbolos e provocações, para reafirmar autoridade e mobilizar sua base eleitoral às vésperas das eleições de meio de mandato.

Em política externa, o presidente adotou um discurso extremamente duro em relação ao Irã. Afirmou que ataques americanos teriam destruído o programa nuclear iraniano e reforçou que o país não pode, em hipótese alguma, desenvolver uma arma nuclear.

"Eles já desenvolveram mísseis que ameaçam a Europa e nossas bases no exterior, e estão trabalhando em mísseis que logo vão chegar aos Estados Unidos", declarou. 

As declarações ocorreram apenas dois dias antes de uma nova rodada de negociações com Teerã, marcada para esta quinta feira, em Genebra.

Índices de aprovação em baixa

Trump enfrenta os piores índices de aprovação do segundo mandato. Cerca de 60 por cento dos americanos desaprovam sua gestão, segundo pesquisa conduzida pelo Washington Post em parceria com a Ipsos. O discurso acontece em um momento de apreensão entre republicanos, que temem perder cadeiras no Congresso.

Ainda assim, o presidente tentou transmitir controle e confiança, apostando em uma fala longa como demonstração de força política.

Trump abriu o discurso abordando justamente os temas que mais preocupam o eleitor americano. Na imigração, exaltou sua política de deportações e afirmou que os Estados Unidos vivem hoje o que chamou de a fronteira mais segura da história. O presidente defendeu a Lei Laken Riley, proposta que endurece regras contra imigrantes em situação irregular e amplia a possibilidade de detenção e deportação, mesmo em casos sem condenação criminal.

Contradições

Já na economia, o discurso apresentou contradições com os dados oficiais. Trump afirmou que os preços de alimentos, aluguel e automóveis estariam em queda, o que não se confirma nas estatísticas mais recentes. Apenas em dezembro, os preços dos alimentos subiram 0,7 por cento em um único mês, a maior alta mensal desde outubro de 2022. Embora a inflação tenha desacelerado em alguns setores, o custo de vida segue pressionando o orçamento das famílias e permanece entre as principais preocupações do eleitorado.

O presidente também destacou o recorde histórico de empregos, com cerca de 159 milhões de pessoas ocupadas. O dado é correto, mas incompleto. Os Estados Unidos também têm hoje a maior população já registrada, com mais de 342 milhões de habitantes, o que indica que o crescimento do emprego acompanha o crescimento populacional. O tom foi otimista, mas o uso dos números foi seletivo.

Em uma tentativa de mostrar sensibilidade ao custo de vida, Trump anunciou a criação de uma conta poupança financiada pelo Estado para cada recém-nascido, com recursos iniciais do governo e rendimentos ao longo do tempo, como incentivo financeiro às famílias.

Protestos e tensão no plenário

O discurso foi interrompido por momentos de tensão logo no início. O deputado democrata do Texas, Al Green, realizou um protesto silencioso segurando um cartaz com a frase "pessoas pretas não são macacos". A mensagem fazia referência direta a um vídeo publicado recentemente por Trump nas redes sociais, no qual o presidente retrata o ex presidente Barack Obama e a ex primeira dama Michelle Obama como macacos.

Mais adiante, ao falar sobre corrupção e insinuar que parlamentares usam informações privilegiadas para lucrar, Trump provocou reações da bancada democrata. Alguns deputados se levantaram e gritaram "e você?". O presidente respondeu ironizando a ex presidente da Câmara Nancy Pelosi, perguntando se ela poderia se levantar. Apesar dos embates, o tom geral foi menos caótico do que o discurso do ano anterior.

Na política externa, Trump deu destaque também à Venezuela. Ele celebrou a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, classificando a operação como uma vitória colossal para a segurança dos Estados Unidos. Trump apresentou no plenário o opositor venezuelano Enrique Márquez, libertado após a detenção de Maduro, e concedeu a Medalha de Honra a um piloto ferido durante a operação.

Polarização e presença de brasileiro entre convidados

O discurso escancarou um país profundamente polarizado. Dezenas de democratas boicotaram a sessão e organizaram eventos paralelos. Outros compareceram levando convidados simbólicos, como vítimas de Jeffrey Epstein e imigrantes afetados pela política de deportações.

Entre eles estava o estudante brasileiro Marcelo Gomes da Silva, detido por agentes do Immigration and Customs Enforcement por estar com o visto vencido e liberado dias depois. A presença de Marcelo foi usada por democratas como exemplo do impacto humano da política migratória do governo Trump.

O presidente também voltou a atacar estados governados por democratas, citando supostas fraudes envolvendo imigrantes somalis em Minnesota. A fala provocou reação imediata da deputada Ilhan Omar, que acusou Trump de mentir e de estigmatizar uma comunidade inteira.

No balanço final, foi um discurso longo, combativo e altamente simbólico. Trump não buscou conciliação, mas reforçar sua base e marcar posição em um ano eleitoral decisivo para o futuro político dos Estados Unidos.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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