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Detentos libertados em Gaza alegam abuso e maus-tratos por parte de Israel, dizem autoridades palestinas

15 abr 2024 - 15h42
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Israel libertou 150 palestinos detidos durante suas operações militares em Gaza para retornarem ao enclave nesta segunda-feira e muitos alegam terem sofrido abusos durante o período em que ficaram presos, disseram autoridades de fronteira palestinas. 

Os detidos, incluindo dois membros da Sociedade do Crescente Vermelho Palestino (SCVP) que ficaram presos por 50 dias, foram soltos nesta segunda-feira pela passagem de Kerem Shalom, controlada pelos israelenses, no sul de Gaza, segundo autoridades de fronteira. 

Muitos foram internados em hospitais, reclamando de abusos e maus tratos dentro das prisões israelenses, disseram. O Exército israelense nega as acusações. 

Muitos dos prisioneiros libertados disseram que foram questionados se tinham conexões com o grupo militante Hamas, que controla Gaza. 

"Eu entrei na prisão com duas pernas e voltei com uma perna", afirmou Sufian Abu Salah, por telefone do hospital, acrescentando que não tinha um histórico médico de doenças crônicas. 

"Eu tinha inflamações na minha perna e eles (os israelenses) se recusaram a me levar ao hospital, uma semana depois as inflamações se espalharam e se tornaram gangrena. Eles me levaram ao hospital, onde passei por uma cirurgia", disse Abu Salah, acrescentando que foi agredido por seus captores israelenses. 

Morador de Abassan, cidade ao leste de Khan Younis, Abu Salah, 42 anos, disse à Reuters que foi preso pelas forças de Israel no fim de fevereiro em uma escola onde ele e sua família haviam se abrigado. 

Segundo a Associação de Prisioneiros Palestinos, há pelo menos 9.100 palestinos de Gaza e Cisjordânia detidos em Israel. Esse número não inclui pessoas presas em Gaza desde o começo da guerra de 7 de outubro porque Israel não divulgou números relacionados à ofensiva. 

O Exército israelense disse em um comunicado à Reuters que está agindo de acordo com leis israelenses e internacionais e que os presos têm acesso a comida, água, medicamentos e roupas adequadas. 

"A IDF (Forças de Defesa de Israel )está operando para restaurar a segurança dos cidadãos de Israel, para trazer os reféns de volta para casa e para atingir os objetivos da guerra, enquanto opera de acordo com a lei internacional", disse o Exército à Reuters, acrescentando que reclamações específicas de comportamento inadequado são encaminhadas às autoridades relevantes para revisão.

SEM INFORMAÇÕES SOBRE DETIDOS

Grupos de direitos humanos palestinos e internacionais disseram que estão cientes das alegações de maus tratos em prisões israelenses. Eles afirmam que Israel se recusa a divulgar informações sobre detidos de Gaza, incluindo quantas pessoas estão presas e onde. 

Em dezembro, o Gabinete de Direitos Humanos da ONU (OHCHR) disse ter recebido diversos relatos de detenções em massa, maus tratos e desaparecimento forçado de palestinos no norte de Gaza, perpetrados pelo Exército israelense. 

Nesta segunda-feira, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC) disse à Reuters que não consegue visitar detidos palestinos em prisões israelenses desde outubro, quando Israel suspendeu as visitas, mas que está ciente de reportagens sobre uma alta taxa de prisões feitas pelas forças israelenses, além de referências a maus tratos aos detidos. 

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