Crise no Oriente Médio se intensifica com ataque iraniano a centro nuclear de Israel
A cidade de Dimona, que abriga o principal centro de pesquisa nuclear de Israel, foi alvo de um ataque iraniano neste sábado (21), em retaliação aos disparos de mísseis contra instalações nucleares de Teerã. O Exército israelense confirmou um "impacto de míssil" iraniano em uma cidade que abriga uma instalação nuclear.
Os ataques à cidade israelense de Dimona são uma "resposta" à ofensiva "inimiga" ao complexo nuclear iraniano de Natanz, segundo a televisão estatal do Irã.
De acordo com o jornal israelense Haaretz, cinco salvas de mísseis iranianos foram disparadas contra a cidade, mas interceptados pelo Exército. Imagens transmitidas pela mídia de Israel mostram o momento em que um míssil atinge Dimona, no sul do país, antes de uma forte explosão.
O canal de notícias israelense Kan, citando os serviços médicos de emergência, informou que pelo menos 39 pessoas ficaram feridas na cidade, incluindo uma criança de 10 anos.
Dimona abriga o Centro de Pesquisa Nuclear Shimon Peres Negev, uma instalação que, segundo a imprensa, esteve envolvida na produção de armas nucleares nas últimas décadas.
O Irã já havia alertado que poderia atacar o complexo nuclear caso Israel e os Estados Unidos continuassem sua ofensiva contra suas instalações de enriquecimento de urânio. A ameaça foi divulgada na quarta-feira pela agência de notícias iraniana ISNA, citando um oficial militar iraniano.
Na manhã de sábado, a Organização de Energia Atômica do Irã acusou Estados Unidos e Israel de atacarem Natanz, no centro do país, destacando que "nenhum vazamento de material radioativo foi relatado". A instalação já havia sido alvo de ataques durante a "Guerra dos Doze Dias", em junho de 2025.
O Exército israelense respondeu que "desconhecia" qualquer ataque desse tipo. A emissora pública Kan informou que a ação teria sido conduzida pelos Estados Unidos.
A AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) pediu moderação para evitar qualquer risco de acidente nuclear.
Ormuz
As forças armadas dos Estados Unidos afirmaram neste sábado ter destruído, ao longo da semana, uma importante instalação subterrânea iraniana no Estreito de Ormuz. O bloqueio da passagem por Teerã desde 28 de fevereiro ameaça o fornecimento global de petróleo e contribui para a alta dos preços.
Embora o ataque tenha sido anunciado na terça-feira, Washington havia fornecido poucos detalhes sobre seus resultados. O chefe do Comando Central dos EUA (Centcom), almirante Brad Cooper, afirmou que as forças americanas "destruíram" uma instalação que abrigava mísseis de cruzeiro, além de terem eliminado centros de inteligência e retransmissores de radar utilizados para monitorar a movimentação de navios.
"A capacidade do Irã de ameaçar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e em seus arredores está, portanto, reduzida, e não vamos parar de perseguir esses alvos", acrescentou.
Cerca de vinte países, incluindo os Emirados Árabes Unidos, o Reino Unido, a França e o Japão, declararam estar "prontos para contribuir com os esforços" necessários para a reabertura do estreito e condenaram os recentes ataques iranianos contra navios e infraestruturas de petróleo e gás.
A perspectiva de um fim imediato para o conflito não parece próxima. Israel alertou neste sábado que a intensidade de seus ataques no Irã "aumentará significativamente" nos próximos dias. "Não vamos parar até que todos os objetivos da guerra sejam alcançados", declarou o ministro da Defesa israelense, Israel Katz.
Embora Donald Trump tenha afirmado na sexta-feira que os Estados Unidos estavam "prestes a alcançar" seus objetivos e considerassem "reduzir gradualmente" os esforços militares no Irã, ele também descartou qualquer possibilidade de cessar-fogo.
Na sexta-feira, Teerã tentou atingir a base conjunta EUA-Reino Unido em Diego Garcia, localizada a cerca de 4.000 quilômetros de seu território, "sem sucesso", segundo uma fonte oficial britânica. Os mísseis iranianos têm alcance oficialmente limitado a 2.000 km.
Com AFP