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Colisão de dois trens de alta velocidade deixa ao menos 39 mortos na Espanha

19 jan 2026 - 12h07
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Pelo menos 39 pessoas morreram no sul da Espanha depois que um trem de alta velocidade descarrilou e colidiu com um trem que vinha em sentido contrário na noite de domingo, em ‌um dos piores acidentes ferroviários na Europa nos últimos 80 anos.

O acidente perto de Adamuz, na província de Córdoba, ‌cerca de 360 km ao sul de Madri, também feriu 122 pessoas, com 12 em tratamento intensivo, de acordo com os serviços de emergência.

"O trem tombou para um lado... então tudo ficou escuro, e só ouvi gritos", disse Ana, uma jovem que viajava de volta para Madri e que estava sendo tratada em um centro da ‍Cruz Vermelha em Adamuz.

Mancando e enrolada em um cobertor, com o rosto coberto de curativos, ela descreveu como foi arrastada para fora do trem, coberta de sangue, por outros passageiros. Os bombeiros resgataram sua irmã grávida dos destroços e uma ambulância as levou para o hospital.

"Havia pessoas que estavam bem ‌e outras que estavam muito, muito feridas. Você as tinha bem na sua ‌frente e sabia que elas iam morrer, mas não podia fazer nada", disse ela.

A operação de resgate foi complicada devido à localização remota do acidente, em uma região montanhosa e de cultivo de oliveiras. O acesso ao local só era possível por uma estrada de pista simples, o que dificultava a entrada e saída de ambulâncias, disse Iñigo Vila, diretor nacional de emergências da Cruz Vermelha Espanhola, à Reuters.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que cancelou sua viagem ao Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, e o ministro dos Transportes, Oscar Puente, estavam entre os que se dirigiram ao local do acidente na segunda-feira.

Havia cerca de 400 passageiros nos dois trens, de acordo com declarações das duas operadoras dos trens, a Iryo e a Alvia, da estatal Renfe.

A polícia disse que abriu um escritório em Córdoba para que os parentes forneçam amostras de DNA para ajudar a identificar os mortos.

Ainda é muito cedo para falar sobre a causa, mas o acidente ocorreu em "condições estranhas", disse o presidente da Renfe, Álvaro Fernandez Heredia, acrescentando que erro humano foi praticamente descartado.

O número de mortos é o maior de um acidente de trem na Espanha desde 2013, quando um trem descarrilou ‌na cidade de Santiago de Compostela, no noroeste do país, e pegou fogo, matando 80 pessoas e ferindo 145. Esse acidente está entre os 20 mais mortais da Europa nos últimos 80 anos, de acordo com dados do Eurostat.

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