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'Chegou a hora de a Ucrânia ter um novo presidente', diz Trump após Zelensky condenar acordo sobre diesel com a Rússia

O presidente da Ucrânia havia dito que o acordo com a Rússia para liberar diesel para os EUA ajudaria Moscou a financiar a guerra.

11 out 2026 - 08h02
(atualizado às 08h04)
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Resumo
Donald Trump declarou que a Ucrânia deveria trocar de presidente após Volodymyr Zelensky criticar o pacto entre EUA e Moscou para liberar diesel russo e conter a alta dos combustíveis. Zelensky e a União Europeia alertaram que a medida financiará a ofensiva russa, enquanto Trump exigiu o fim dos ataques ucranianos a refinarias da Rússia. Aliados europeus prestaram solidariedade a Kiev, e a UE planeja ampliar sanções contra Moscou, contrariando o alívio concedido pelo governo norte-americano.
Zelensky
Zelensky
Foto: Reuters / BBC News Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse acreditar que "é hora de a Ucrânia ter um novo presidente", em resposta às críticas de Volodymyr Zelensky ao acordo de fornecimento de diesel entre os EUA e a Rússia.

O presidente ucraniano alertou que um novo acordo para liberar milhões de toneladas de diesel russo para os EUA daria a Moscou dinheiro para continuar sua guerra contra o país. Ele disse que o acordo é um presente para o presidente russo Vladimir Putin.

No sábado (10/10), Trump disse a repórteres do lado de fora da Casa Branca que Zelensky "quer criar problemas para o mundo" ao continuar autorizando ataques a refinarias russas.

"É melhor ele parar imediatamente", disse Trump, antes de sugerir que a Ucrânia deveria "ter um novo líder que possa chegar a um acordo".

Desde a invasão russa à Ucrânia em 2022, o país está sob lei marcial, o que significa que as eleições estão suspensas.

O fornecimento global de combustíveis, incluindo o diesel, foi severamente limitado pela guerra contra o Irã, iniciada pelos EUA e Israel, que levou ao fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, por onde normalmente flui cerca de um quinto dos produtos petrolíferos mundiais.

A Rússia, um dos principais produtores, e a Ucrânia intensificaram recentemente os ataques às infraestruturas energéticas e de transportes uma da outra, pressionando ainda mais os mercados de energia.

"Dissemos: 'vocês podem fazer o que quiserem com a Rússia, mas não ataquem as refinarias', porque isso causa um problema mundial", continuou Trump.

"Ele poderia ter fechado muitos negócios, mas por algum motivo, nunca o faz."

O enviado de Putin, Kirill Dmitriev, descreveu a intervenção de Trump como "icônica e histórica", afirmando que a Ucrânia "precisa de uma liderança verdadeiramente focada na paz".

O presidente dos EUA confirmou na sexta-feira que foi firmado um acordo com Moscou para suspender as sanções às exportações russas de diesel até 7 de abril.

Zelensky reagiu dizendo que isso permitiria a Moscou angariar recursos para adquirir novos equipamentos militares e continuar a guerra.

Ele também acusou Moscou de interpretar o acordo "como uma permissão para continuar lutando, para continuar bombardeando cidades", após os novos e mortais ataques em Zaporizhzhia.

Solidariedade a Zelensky

O presidente ucraniano conversou com vários aliados no sábado para discutir os mais recentes desdobramentos, pedindo "decisões concretas para proteger vidas na Ucrânia" e a segurança europeia.

Um porta-voz do Reino Unido disse que o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, conversou com Zelensky e ofereceu sua "total solidariedade".

O porta-voz afirmou que ambos concordaram que a Rússia deveria aceitar um "cessar-fogo energético imediato" e encerrar seus ataques à navegação no Mar Negro, pois "isso liberaria imediatamente mais energia e suprimentos de alimentos no mercado global".

A notícia do acordo entre os EUA e a Rússia sobre o diesel também foi recebida com críticas pela chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, que concordou com Zelensky ao afirmar que a suspensão das sanções "fornece a Moscou mais recursos para financiar a guerra".

"Este não é o momento de aliviar a pressão sobre a Rússia, e a Europa não o fará", disse Kallas.

Ela afirmou que os ministros das Relações Exteriores europeus pretendem aprovar na segunda-feira o maior pacote de sanções contra a Rússia desde o início da invasão da Ucrânia.

O acordo com a Rússia é a mais recente tentativa de Trump de reduzir os preços dos combustíveis nos EUA antes das eleições de meio de mandato, após meses lidando com as consequências políticas da guerra com o Irã.

Esse conflito, que começou em fevereiro, fez com que o preço da gasolina e, em particular, do diesel disparasse, o que prejudicou sua imagem perante o público americano, que foi afetado pelos preços mais altos nos postos de gasolina e pelos efeitos subsequentes que levaram à inflação generalizada.

O preço médio do diesel está atualmente em US$ 6,28 por galão - um aumento em relação à média de US$ 5,94 do mês passado e de US$ 3,68 do ano passado.

Nos termos do acordo, a Rússia liberaria inicialmente 300 mil toneladas de diesel "para o mercado americano e global", seguidas por mais 500 mil toneladas em novembro.

Mais um milhão viria a seguir, escreveu Trump no Truth Social, e depois outros 3 milhões de toneladas "em um curto período de tempo" - mas ele observou que essa entrega dependerá "das condições de suas refinarias de diesel".

Nos últimos 10 meses, a Rússia sofreu duas ondas de grave escassez de combustível em todo o país devido a ataques de drones ucranianos às suas refinarias de petróleo.

A produção de diesel na Rússia caiu cerca de 30%, segundo a Agência Internacional de Energia.

Trump já havia pedido novas eleições na Ucrânia em dezembro passado, afirmando que os eleitores ucranianos deveriam ter a opção de substituir Zelensky.

Desde o início da guerra em 2022, a Ucrânia está sob lei marcial, o que significa que as eleições estão suspensas.

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