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Calor recorde deixa mortos na Coreia do Sul e coloca península coreana em alerta

Uma onda de calor recorde afeta toda a península coreana. Enquanto a Coreia do Sul contabiliza ao menos 19 mortes, divulgadas nesta terça-feira (4), associadas às altas temperaturas desde meados de maio, a Coreia do Norte também enfrenta calor extremo. A imprensa estatal norte-coreana relata temperaturas próximas dos 40°C em algumas regiões do país e uma sequência de noites tropicais em Pyongyang, mas não divulgou dados sobre vítimas ou problemas de saúde relacionados ao fenômeno.

4 ago 2026 - 12h46
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Na Coreia do Sul, os termômetros bateram sucessivos recordes na última semana. A cidade de Yangsan, próxima ao porto de Busan, no sudeste, registrou 42,5°C no domingo (2), a temperatura mais alta medida no país desde o início das observações meteorológicas em 1904.

Diante da situação, o presidente Lee Jae Myung classificou a onda de calor como uma "catástrofe nacional". Em reunião de governo, ele ordenou o reforço da assistência a idosos e outras pessoas vulneráveis, além de medidas para garantir a estabilidade da rede elétrica, pressionada pelo aumento do uso de aparelhos de ar-condicionado.

Segundo a Agência Coreana de Controle e Prevenção de Doenças, mais de 2.200 pessoas sofreram problemas de saúde ligados ao calor entre 15 de maio e 3 de agosto. Das 19 mortes registradas, 13 envolveram pessoas com mais de 80 anos. Além disso, cerca de 300 pessoas foram hospitalizadas, segundo as autoridades de saúde.

A Administração Meteorológica Coreana emitiu pela primeira vez um alerta de calor extremo para partes da região metropolitana de Seul, antes de estendê-lo a toda a capital. O alerta recomenda a suspensão de atividades ao ar livre, incluindo trabalhos agrícolas, esportes e serviços em canteiros de obras.

A onda de calor também evidenciou as desigualdades sociais no país. Em Gangnam, bairro conhecido internacionalmente após o sucesso da música Gangnam Style em 2012, moradores de condomínios de luxo enfrentam as temperaturas extremas em apartamentos climatizados. A poucos quilômetros dali, habitantes da favela de Guryong vivem em barracos de madeira e lona, muitas vezes sem acesso garantido à eletricidade.

Para refrescar, homem umedece o chão na favela de Guryong, nos arredores do distrito de Gangnam, em Seul, em 4 de agosto de 2026, enquanto uma onda de calor escaldante continua a assolar a Coreia do Sul.
Para refrescar, homem umedece o chão na favela de Guryong, nos arredores do distrito de Gangnam, em Seul, em 4 de agosto de 2026, enquanto uma onda de calor escaldante continua a assolar a Coreia do Sul.
Foto: RFI

"Está tão quente que mal conseguimos respirar", relatou à AFP uma moradora de Guryong. Alguns idosos afirmam dormir em áreas externas sombreadas para escapar do calor acumulado dentro das moradias. Autoridades locais transformaram centros comunitários em abrigos temporários e distribuíram equipamentos de refrigeração às famílias mais vulneráveis.

Para o presidente sul-coreano, os eventos observados neste verão do hemisfério norte reforçam a necessidade de reformar o sistema de gestão de desastres do país. Lee alertou que as condições meteorológicas extremas podem se prolongar por um período considerável, em um contexto de intensificação dos efeitos das mudanças climáticas.

Calor intenso em toda a região

Na Coreia do Norte, os meios de comunicação estatais informaram que os alertas de calor permanecerão em vigor durante toda a semana. Segundo a imprensa oficial, dezenas de milhares de pessoas buscaram refúgio contra altas temperaturas na zona turística costeira de Wonsan Kalma ao longo de julho. Imagens do último fim de semana foram divulgadas pela imprensa estatal de Pyongyang.

No Japão, algumas cidades enfrentaram neste verão os chamados "dias de calor cruel", uma nova classificação meteorológica utilizada pelas autoridades para designar jornadas em que as temperaturas ultrapassam os 40°C.

Segundo cientistas, fenômenos meteorológicos extremos, como as ondas de calor, estão se tornando mais frequentes e intensos em consequência das mudanças climáticas.

Com agências

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