Berlim está sendo chantageada por hackers, denuncia prefeito
A administração de Berlim está sendo chantageada por hackers, suspeitos de integrar o grupo Rhysida, que exigem cerca de R$ 12 milhões em bitcoins para não vazar dados públicos e confidenciais roubados em um ataque em 14 de agosto. A invasão paralisou serviços municipais, mas o prefeito Kai Wegner afirmou que a cidade não cederá à extorsão. As autoridades investigam o caso e garantem que as eleições de setembro não serão impactadas pelo incidente cibernético.
Hackers exigem R$ 12 milhões para não publicar dados municipais que foram roubados em ataque cibernético ocorrido em 14 de agosto, segundo revista. "Berlim não cederá à chantagem", diz prefeito da capital alemã.O prefeito de Berlim afirmou que a administração da capital alemã está sendo chantageada por hackers após sistemas da cidade terem sido alvo de roubo de dados durante um ataque cibernético que ocorreu há duas semanas.
"Berlim é vítima de um crime grave", disse o prefeito Kai Wegner na sexta-feira (28/08). "A exigência chegou no início da noite de quinta-feira. Berlim não cederá à chantagem", completou o prefeito da cidade-estado alemã.
De acordo com a revista alemã Der Spiegel, os chantagistas estão exigindo 30 bitcoins — o equivalente a cerca de dois milhões de euros ou R$ 12 milhões. O governo local, no entanto, evitou confirmar oficialmente qual foi o valor exigifo e quem estaria por trás do ataque cibernético.
"Por motivos táticos de investigação, não estamos nos pronunciando sobre o assunto neste momento", disse uma porta-voz na manhã de sábado, acrescentando que as investigações sobre o ataque estão em andamento.
Segundo a Der Spiegel, que citou uma fonte de segurança, acredita-se que o grupo envolvido seja o coletivo de hackers Rhysida.
O Rhysida assumiu a responsabilidade por um ataque de ransomware contra a Biblioteca Britânica (British Library) em 2023, quando exigiu um pagamento de 20 bitcoins — no valor de cerca de R$ 4 milhões na época.
Ataque em Berlim
Em 14 de agosto, um ataque cibernético deixou várias repartições municipais de Berlim, especialmente as que lidam com habitação e meio ambiente, isoladas da rede por uma semana. Todos os pedidos de auxílio-moradia e pagamentos ficaram impossibilitados por vários dias. Após a divulgação do ataque cibernético, as administrações de transporte e construção também foram temporariamente desconectadas da rede municipal.
Inicialmente, as autoridades afirmaram que nenhum dado confidencial havia sido roubado, mas nesta semana admitiram que dados pessoais podem ter sido afetados.
De acordo com a revista Der Spiegel, os invasores acessaram uma grande quantidade de dados confidenciais, incluindo registros de processos por infrações administrativas e senhas. Ainda segundo a publicação, o grupo Rhysida ameaçou publicar os dados caso não receba o dinheiro em uma semana.
Segundo o prefeito Wegner, os serviços de segurança da Alemanha estão trabalhando a todo vapor para prender os autores do crime. Também estão sendo realizadas verificações para apurar quais dados foram roubados.
No caso da Biblioteca Britânica, a instituição se recusou a pagar o resgate e o grupo Rhysida publicou cerca de 500 mil arquivos na dark web contendo dados pessoais de visitantes, assinantes e funcionários.
O ataque em Berlim ocorreu pouco mais de um mês da próxima eleição municipal na capital alemã, que vai decidir o próximo governo da cidade-estado. A eleição está marcada para 20 de setembro. U das vice-prefeitas de Berlim, Iris Spranger, afirmou que o ataque cibernético não deve afetar a realização do pleito.
jps (dpa, AFP)
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