Avião carregado de dinheiro cai na Bolívia e mata mais de 20
População tentou saquear cédulas e foi contida pela polícia
Pelo menos 22 pessoas morreram e cerca de 100 ficaram feridas após a queda de um avião militar Hércules C-130 sobre uma movimentada avenida nas proximidades do aeroporto de El Alto, na região metropolitana de La Paz, capital da Bolívia.
A aeronave, que transportava uma remessa de cédulas recém-impressas no exterior destinadas ao Banco Central, arremeteu contra a pista, arrastou-se por pelo menos um quilômetro e atingiu dezenas de veículos nas imediações da prefeitura de El Alto, em pleno horário de pico.
Testemunhas descreveram cenas de pânico, e estima-se que ao menos 30 veículos tenham sido danificados ou completamente destruídos na colisão, ocorrida em meio a condições meteorológicas adversas e durante um congestionamento na região.
Com a fuselagem destruída e parte da carga espalhada pelo asfalto, moradores se aproximaram para recolher as notas, gerando tumulto e saques. Diante da multidão que tentava invadir os destroços em busca de dinheiro, agentes da polícia e militares precisaram formar um cordão de isolamento e recorrer a jatos d'água e gás lacrimogêneo para dispersar a população.
As autoridades esclareceram que o dinheiro, embora visualmente semelhante à cédula oficial, não possui valor legal nem poder de compra por ainda não ter recebido numeração nem chancela do sistema financeiro. Ainda assim, diante da gravidade da situação e do risco de novos tumultos, parte da carga precisou ser incinerada no local.
Pelo menos 12 pessoas foram detidas, algumas delas flagradas saqueando não apenas a carga da aeronave, mas também comércios da região, aproveitando-se do caos instalado.
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, suspendeu imediatamente uma visita institucional em Santa Cruz e deslocou-se com urgência para La Paz. Em pronunciamento, expressou solidariedade às famílias das vítimas. "Nada pode consolar a perda de um ente querido, mas quero que saibam que não estão sozinhos: nossas ações e orações estão com vocês", declarou o chefe de Estado.