Após ataque ao palácio presidencial no Iêmen, Riade acusa Irã de incentivar ofensiva dos houthis
Riade acusou nesta quinta-feira (15) o Irã de incentivar as operações militares dos houthis pró-Irã do Iêmen, após uma série de violentos ataques. O conflito se intensificou em território iemenita: os combatentes bombardearam nesta quinta o palácio presidencial em Áden, para onde o governo, apoiado pela Arábia Saudita, se transferiu em 2015.
A Arábia Saudita acusou o Irã de incentivar a nova ofensiva dos rebeldes houthis, após um ataque com mísseis atingir a sede do governo do Iêmen, deixando mortos e feridos. A escalada de bombardeios contra alvos iemenitas e instalações sauditas forçou o adiamento de eventos internacionais em Riade, como a cúpula com a União Europeia, enquanto agências humanitárias alertam para hospitais lotados e o bloqueio da ajuda alimentar a cerca de 800 mil pessoas devido à intensificação do conflito.
A sede do governo iemenita foi atingida por cinco mísseis, declarou Muammar al-Eryani, ministro da Informação, acrescentando que o primeiro-ministro e os integrantes do governo estavam "sãos e salvos". Pelo menos quatro pessoas morreram e dez ficaram feridas, segundo o governo.
Os houthis também lançaram "vários mísseis balísticos" contra a cidade de Marib, controlada pelo governo, em uma região petrolífera no centro do Iêmen. A coalizão liderada por Riade informou ainda ter interceptado drones houthis que tinham como alvo a cidade de Khamis Mushait, no sul da Arábia Saudita.
O porta-voz militar dos rebeldes, Yahya Saree, afirmou que suas forças "atacaram o quartel-general das operações militares do inimigo saudita" instalado no palácio e classificou "qualquer presença militar saudita" como um "alvo legítimo".
Para a Arábia Saudita, que reconheceu estar sendo colocada à prova, não há dúvidas sobre a responsabilidade da República Islâmica. "A escalada promovida pelos houthis neste momento é incentivada pelo Irã", declarou a jornalistas o vice-ministro saudita encarregado da diplomacia, Rayed Krimly. Ele acusou Teerã de continuar a "armar, treinar e apoiar" o movimento.
Ataques ao aeroporto
Embora a Arábia Saudita mantenha contato "direto" com o Irã, Riade não se comunica com os houthis há várias semanas. Quando os ataques se intensificaram, os combatentes recusaram, segundo o vice-ministro, uma reunião proposta em Mascate, com mediação de Omã.
O conflito, que opõe desde 2014 os rebeldes às forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita, voltou a ganhar força em julho, abrindo uma nova frente na guerra no Oriente Médio. Os ataques contra a infraestrutura saudita, de instalações petrolíferas a aeroportos, agora são quase diários.
Desde o início de outubro, os houthis atacaram 20 vezes o aeroporto internacional da capital, segundo a coalizão liderada por Riade. Seu porta-voz, Turki al-Malki, pediu que eles "cessem imediatamente todas as operações terroristas contra civis e instalações civis".
Ele também apontou, sem nomeá-los, o papel de "atores regionais" que teriam permitido aos houthis obter "mísseis balísticos, drones de ataque e drones suicidas, além de lanchas rápidas carregadas de explosivos".
Adiamento da cúpula UE-Golfo
Após o ataque de sábado (10), que deixou 13 mortos no aeroporto, a capital saudita voltou a ser alvo de explosões na quarta-feira. Nesta quinta, a coalizão afirmou ter interceptado um míssil na região de Medina, cidade sagrada do islamismo, depois de informar, durante a noite, a interceptação de um drone no leste do reino, região rica em petróleo.
Os houthis, que afirmaram repetidamente que poupariam as cidades sagradas de Meca e Medina, negaram estar por trás do disparo contra a região. Nesse contexto de tensão, os Estados-membros da União Europeia anunciaram o adiamento de uma cúpula com os países do Golfo prevista para 24 de outubro, em Riade.
Outros eventos, entre eles três partidas de futebol previstas para esta semana, também foram adiados. Outubro marca tradicionalmente na Arábia Saudita, com o fim do calor do verão, o início da alta temporada de peregrinação a Meca e de outros grandes encontros internacionais.
No Iêmen, apesar do apoio da aviação saudita, as forças governamentais enfrentam dificuldades para retomar os territórios conquistados pelos combatentes pró-Irã, que reforçaram, entre outras coisas, o cerco a Taiz, terceira maior cidade do país.
O Programa Mundial de Alimentos (PMA) alertou na quarta-feira que os combates interromperam o acesso da organização a cerca de 800 mil pessoas. "Os hospitais e as unidades de saúde estão sobrecarregados", alertou, por sua vez, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), mencionando um aumento "sem precedentes" no número de feridos de guerra.
Com agências
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