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Ao menos 18 pessoas morrem na França, incluindo duas crianças dentro de carro, em meio a onda de calor na Europa

22 jun 2026 - 08h57
(atualizado às 15h26)
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Pelo menos 18 pessoas morreram na ‌França, incluindo duas crianças deixadas em um carro quente, enquanto uma onda de calor assola a Europa, quebrando recordes de temperatura em diversas cidades na segunda-feira.

Os socorristas não conseguiram reanimar duas crianças, de 2 e 4 anos, que foram encontradas inconscientes pela mãe dentro do carro da família, em frente à casa, disse um promotor em Carpentras, no sudeste da França.

Três idosos, com idades entre 80 e 95 anos, morreram ⁠no fim de semana na região de Bordeaux devido a problemas de saúde causados pela onda de calor, ‌informou a autoridade local Sophie Brocas à emissora France TV no final de domingo.

"Nade apenas em locais supervisionados", disse o porta-voz do Serviço de Segurança Civil francês, Jerome Boulanger, após o registro de 13 ‌afogamentos entre domingo e segunda-feira. As mortes por afogamento aumentaram 172% ‌na França no ano passado durante ondas de calor, quando os banhistas tentam se refrescar.

Milhares de ⁠escolas na França fecharam ou tiveram seus horários alterados na segunda-feira, e meteorologistas no Reino Unido previram que as temperaturas poderiam bater recordes para junho esta semana.

"Estamos caminhando, no mínimo, para vários dias de calor extremo. Não sabemos quando as temperaturas começarão a cair", disse a ministra da Saúde francesa, Stéphanie Rist, ao canal de TV TF1.

A agência meteorológica francesa Meteo France informou que 49 áreas administrativas regionais estariam sob alerta ‌vermelho de onda de calor.

Um relatório de abril da Organização Meteorológica Mundial constatou que a Europa está aquecendo ‌a uma taxa mais que o ⁠dobro da média global.

De acordo ⁠com o Monitor Climático da Reuters, na segunda-feira, a Europa era o continente mais distante de sua média histórica, com ⁠temperaturas previstas para atingir uma média de 24 graus ‌Celsius, 4,1°C acima do que era típico ‌entre 1961 e 1990.

A onda de calor que afeta grande parte da Europa é conhecida como bloco ômega, pois tem o formato da letra grega, com uma protuberância de ar quente no centro e ar mais frio nas laterais, explicou Clair Barnes, pesquisadora associada sobre clima extremo do ⁠Imperial College de Londres.

"Ela está puxando ar quente do Norte da África, do Saara, e é por isso que temos esse calor tão intenso. Ela se move muito lentamente, o que significa que não há vento, nenhuma brisa para aliviar o calor", disse ela.

As ondas de calor e as tempestades estão sendo intensificadas pelas mudanças climáticas, elevando as temperaturas e causando mais ‌chuvas, segundo ela.

Na Espanha, a agência meteorológica estatal Aemet emitiu um alerta vermelho para o País Basco, no norte do país, que costuma ser mais fresco, com a temperatura em San Sebastián prevista para ⁠atingir 40°C, mais do que o dobro da média histórica para 22 de junho, de acordo com o Monitor Climático da Reuters.

San Sebastián deveria ficar mais quente do que as cidades do sul, como Sevilha e Córdoba, que normalmente registram o calor mais intenso do verão no país.

"Estamos observando temperaturas entre 5 e 10 graus acima do normal para esta época do ano e, em algumas áreas do norte, até mais de 10 graus acima da média", disse Rubén del Campo, porta-voz da Aemet.

O Ministério do Trabalho da Espanha informou nesta segunda-feira que está monitorando se as empresas estão cumprindo as leis que permitem aos trabalhadores reduzir ou ajustar suas jornadas de trabalho quando são emitidos alertas meteorológicos laranja ou vermelho. Os trabalhadores também têm direito a até quatro dias de licença remunerada caso não consigam chegar ao local de trabalho devido às condições climáticas, segundo o ministério.

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