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Anúncio de funeral com honras militares para Ratko Mladic provoca polêmica na Sérvia

Nesta sexta-feira (28), o anúncio do ministro da Justiça da Sérvia de que o ex-general Ratko Mladic, que faleceu na véspera, terá direito a um funeral de Estado provocou reações na Sérvia e também fora do país. A controvérsia decorre das condenações de Mladic, conhecido como o "Carniceiro dos Bálcãs", por crimes de guerra e por seu papel no massacre de Srebrenica, em 1995.

28 ago 2026 - 12h14
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Resumo
O anúncio do governo sérvio de realizar um funeral com honras de Estado para Ratko Mladic gerou forte repúdio de ONGs e da Bósnia. O ex-comandante militar morreu em Haia, onde cumpria prisão perpétua por genocídio e crimes de guerra, incluindo o massacre de Srebrenica em 1995. Enquanto simpatizantes celebram seu legado, entidades civis classificaram a homenagem como vergonhosa por exaltar um líder condenado pelo extermínio de milhares de pessoas durante a Guerra da Bósnia.

Laurent Rouy, correspondente da RFI em Belgrado, e AFP

A morte de Mladic, que estava doente há vários meses e morreu em Haia, onde cumpria uma pena de prisão perpétua por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade, expôs novamente as feridas ainda abertas deixadas pela desintegração da antiga Iugoslávia.

Na noite de quinta-feira, manifestações espontâneas foram organizadas em homenagem ao ex-comandante militar. Em Zvornik, na Republika Srpska, entidade autônoma de maioria sérvia da Bósnia e Herzegovina, cerca de 300 pessoas marcharam diante das mesquitas do centro da cidade, entoando o nome de Ratko Mladic. Na Sérvia, algumas dezenas de simpatizantes acenderam sinalizadores e exibiram um retrato do ex-general em uma ponte no centro de Belgrado.

Apesar da condenação internacional, Ratko Mladic continua sendo reverenciado por parte da classe política sérvia. Nesta sexta-feira, o ministro da Justiça do país, Nenad Vujic, anunciou que o ex-general receberá honras militares e de Estado durante seu funeral. As autoridades aguardam a transferência do corpo de Haia para organizar a cerimônia.

"É certo que o general Mladic receberá todas as honras militares e de Estado a que tem direito", declarou Vujic.

O anúncio de um possível funeral nacional provocou forte reação de organizações da sociedade civil. Para a ONG sérvia Academia para a Promoção da Democracia, uma cerimônia desse tipo seria "vergonhosa e escandalosa" e mostraria que o governo não abandonou a ideologia genocida.

Já o grupo feminista Mulheres de Preto afirmou que o Estado e a sociedade sérvios se preparam para homenagear o responsável por um genocídio.

Em Sarajevo, capital da Bósnia e Herzegovina, organizações não governamentais também se mobilizaram e exigem uma condenação clara por parte das autoridades. Algumas defendem inclusive a expulsão do embaixador sérvio caso essas homenagens, que por enquanto permanecem apenas como uma possibilidade, sejam efetivamente realizadas.

Apoiadores de Ratko Mladic exibem sua foto e acendem sinalizadores para homenagear o ex-general sérvio na ponte Varadinski, em Novi Sad, na Sérvia, em 27 de agosto de 2026.
Apoiadores de Ratko Mladic exibem sua foto e acendem sinalizadores para homenagear o ex-general sérvio na ponte Varadinski, em Novi Sad, na Sérvia, em 27 de agosto de 2026.
Foto: RFI

Srebrenica: pior massacre da Europa desde a Segunda Guerra 

O massacre de Srebrenica foi o pior episódio de extermínio em massa ocorrido na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. 

Durante a Guerra da Bósnia (1992-1995), forças sérvias sob o comando de Ratko Mladic executaram cerca de 8 mil bósnios muçulmanos em Srebrenica, em julho de 1995. As vítimas haviam buscado refúgio em uma área que deveria estar sob proteção das Nações Unidas.

Mladic era o braço militar de um trio que marcou os conflitos da ex-Iugoslávia, ao lado do ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic e do ex-líder dos sérvios da Bósnia Radovan Karadzic, durante o período em que a antiga Iugoslávia mergulhou em uma espiral de violência após a queda do comunismo.

A guerra da Bósnia deixou cerca de 100 mil mortos e provocou o deslocamento de 2,2 milhões de pessoas.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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