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América Latina

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ONU prevê aumento significativo do número de mortos na Venezuela; milhares seguem desaparecidos

Mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas na Venezuela, segundo uma estimativa da ONU divulgada nesta sexta-feira (26), após o duplo terremoto que devastou o país. De acordo com o último balanço oficial, mais de 900 pessoas morreram, mas o número de vítimas deve aumentar nas próximas horas.

26 jun 2026 - 15h46
(atualizado às 15h49)
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"Trata-se de uma operação de socorro extremamente complexa. Mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas e mais de 900 morreram. Portanto, a busca nos escombros é uma tarefa colossal", afirmou o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, em entrevista à AFP, em Genebra.

"Há também a ameaça de réplicas. Por isso, as equipes de resgate estão atuando em condições incrivelmente complexas", acrescentou.

Os dados mais recentes das autoridades venezuelanas, divulgados nesta sexta-feira, indicam que pelo menos 929 pessoas morreram e 2.980 ficaram feridas. O balanço anterior do governo apontava 589 mortes.

A extensão da destruição provocada pelos terremotos sugere que o número real de vítimas pode ser muito maior do que o registrado até agora. Para efeito de comparação, terremotos de magnitude semelhante causaram mais de 200 mil mortes no Haiti, em janeiro de 2010; 73 mil mortes na Caxemira, em outubro de 2005; e quase 53,5 mil mortes na fronteira entre Turquia e Síria, em fevereiro de 2023.

"Cerca de 50 mil pessoas estão desaparecidas. Nossa missão é encontrar o maior número possível delas e manter o número de mortos o mais baixo possível, mas ele certamente aumentará significativamente", reconheceu Fletcher.

Estrada danificada após terremotos atingirem La Guaira, na Venezuela, em 25 de junho de 2026.
Estrada danificada após terremotos atingirem La Guaira, na Venezuela, em 25 de junho de 2026.
Foto: RFI

Solidariedade

Equipes de resgate de pelo menos 17 países foram mobilizadas para auxiliar nas buscas por sobreviventes, informou a ONU. "Temos atualmente 35 equipes em campo. Isso representa mais de 1.600 profissionais especializados em busca e resgate urbano, além de mais de 100 cães treinados para operações de salvamento", afirmou Fletcher.

"Também estamos utilizando drones para acessar edifícios inacessíveis aos socorristas e localizar sobreviventes. Trata-se, portanto, de uma operação de grande escala que está em andamento", acrescentou.

Dois terremotos, com magnitudes de 7,2 e 7,5, atingiram a Venezuela na quarta-feira (24), provocando danos extensos, especialmente na capital, Caracas, onde inúmeros edifícios desabaram.

Voluntários buscam possíveis vítimas em um prédio que desabou em Caraballeda, na região de La Guaira a cerca de 40 km a nordeste de Caracas, em 25 de junho de 2026.
Voluntários buscam possíveis vítimas em um prédio que desabou em Caraballeda, na região de La Guaira a cerca de 40 km a nordeste de Caracas, em 25 de junho de 2026.
Foto: RFI

Agências da ONU e outras organizações humanitárias fizeram um apelo à solidariedade internacional nesta sexta-feira e pediram "acesso humanitário rápido e irrestrito" às áreas afetadas.

O governo dos Estados Unidos suspendeu por quatro meses as sanções econômicas contra a Venezuela para evitar que elas prejudiquem as operações de socorro no país.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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