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Alemanha sinaliza retomada de financiamento a agência da ONU para palestinos

24 abr 2024 - 16h22
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A Alemanha afirmou nesta quarta-feira que planeja reiniciar sua cooperação com a agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA, em inglês), sinalizando uma retomada do financiamento congelado após Israel acusar 12 funcionários da entidade de terem participado do ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro. 

As alegações levaram 16 países doadores, incluindo o maior deles, os Estados Unidos, a congelarem cerca de 450 milhões de dólares em fundos, um golpe às operações da UNRWA, que luta contra uma crise humanitária desencadeada pela ofensiva de Israel em Gaza. 

A sinalização da Alemanha, segunda maior doadora da UNRWA, foi dada após a publicação de uma revisão liderada pela ex-ministra das Relações Exteriores da França, Catherine Colonna, na última segunda-feira, sobre os procedimentos da UNRWA para garantir a adesão aos princípios de neutralidade. 

Em um comunicado, os ministérios de Relações Exteriores e Desenvolvimento da Alemanha pediram que a UNRWA implemente rapidamente as recomendações do relatório, incluindo o fortalecimento de sua auditoria interna e a melhoria da supervisão externa do gerenciamento de projetos. 

"Em apoio a essas reformas, o governo alemão em breve continuará sua cooperação com a UNRWA em Gaza, como Austrália, Canadá, Suécia e Japão, entre outros, já fizeram", disse o comunicado. A Alemanha é o segundo maior doador da UNRWA. 

"A Alemanha coordenará de perto com seus parceiros internacionais mais próximos o desembolso de mais fundos. As necessidades de financiamento de curto prazo da UNRWA em Gaza estão cobertas pelos fundos já existentes", acrescentou o comunicado. 

A agência emprega 32.000 pessoas nos territórios palestinos e países vizinhos, incluindo 13.000 na Faixa de Gaza, onde é, de longe, a maior agência de ajuda, administrando escolas e serviços sociais para os refugiados, que constituem a maioria dos habitantes de Gaza.

A revisão liderada por Colonna apontou que Israel ainda não forneceu evidências para fundamentar suas acusações -- feitas com base em uma lista de funcionários da UNRWA entregue aos israelenses em março -- segundo a qual um número significativo de funcionários da UNRWA seria de membros do que chamou de grupos terroristas de Gaza.

A revisão constatou que a UNRWA tinha "uma abordagem mais desenvolvida" em relação à neutralidade do que outros grupos semelhantes da ONU ou de ajuda humanitária, embora persistissem "questões relacionadas à neutralidade", como o fato de os funcionários expressarem publicamente opiniões políticas.

As Nações Unidas estão investigando as acusações contra os 12 funcionários. Depois que as acusações vieram à tona em janeiro, a UNRWA demitiu 10 das pessoas citadas. As outras duas acusadas estavam mortas.

Israel intensificou suas acusações em março, dizendo que mais de 450 funcionários da UNRWA seriam combatentes de grupos terroristas em Gaza.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel chamou a decisão da Alemanha de "lamentável e decepcionante". Segundo ele, Israel compartilhou informações detalhadas sobre "muitas centenas" de funcionários da UNRWA que seriam membros do Hamas, movimento islâmico que governa Gaza, e de outro grupo, a Jihad Islâmica.

Ao aceitar as recomendações da revisão na segunda-feira, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu a todos os países que apoiassem a UNRWA como uma "tábua de salvação para os refugiados palestinos na região".

O chefe da UNRWA, Philippe Lazzarini, disse na terça-feira que a UNRWA atualmente tem fundos suficientes para bancar as operações até junho.

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