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África

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Acusado de pregar jejum que provocou 191 mortes, pastor é condenado a 200 anos de prisão no Quênia

Paul Mackenzie, líder de uma seita evangélica apocalíptica, considerado culpado pelo assassinato de 190 crianças e um adulto após incentivar seus seguidores a morrer de fome para "encontrar Jesus", foi condenado nesta sexta-feira (6) a 200 anos de prisão. O autoproclamado pastor da Igreja Good News International corria o risco de ser condenado à pena de morte.

6 nov 2026 - 16h32
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Resumo
O pastor Paul Mackenzie foi condenado a 200 anos de prisão no Quênia pela morte de 191 seguidores induzidos ao jejum até a morte, no caso conhecido como o massacre de Shakahola. Outros 28 corréus receberam penas de até 160 anos por crimes como tortura e ocultação de corpos em valas comuns. A Justiça rejeitou a pena de morte para evitar que a execução fosse encarada como martírio pela seita, aplicando a prisão perpétua efetiva aos acusados, que não demonstraram remorso. A defesa pretende recorrer.

Gaëlle Laleix, correspondente da RFI em Nairóbi, com agências

Paul Mackenzie, líder de uma seita queniana acusado de ter ordenado a seus seguidores, membros da Igreja 'Good News International', que se deixassem morrer de fome, comparece ao Tribunal Superior de Mombasa, no Quênia, em 6 de novembro de 2026, para a leitura de sua sentença.
Paul Mackenzie, líder de uma seita queniana acusado de ter ordenado a seus seguidores, membros da Igreja 'Good News International', que se deixassem morrer de fome, comparece ao Tribunal Superior de Mombasa, no Quênia, em 6 de novembro de 2026, para a leitura de sua sentença.
Foto: REUTERS - Monicah Mwangi / RFI

Vestindo uma camisa polo cinza, Paul Mackenzie permaneceu impassível ao ouvir sua sentença de 200 anos de prisão. O líder religioso escapou da pena de morte. Era essa, no entanto, a punição solicitada pelo Ministério Público no início da semana.

A juíza Diana Kavedza Mochache apresentou todos os elementos que pesam contra Paul Mackenzie e seus cúmplices: o planejamento do massacre, sua execução durante um período extremamente longo, a vulnerabilidade das vítimas, além da violência, da tortura e da ocultação dos corpos.

O caso remonta a 2023, quando os corpos foram encontrados em valas comuns em Shakahola, uma região do interior próxima às praias de Malindi, na costa queniana. A tragédia passou rapidamente a ser chamada pela imprensa local de "massacre da floresta de Shakahola" e foi classificada como uma das piores tragédias ligadas a práticas de seitas no país do leste africano.

Além do pastor, os outros 28 corréus também passarão o resto da vida na prisão, anunciou o Tribunal Superior de Mombasa. Vinte e seis deles foram condenados a penas que variam de 100 a 160 anos de prisão, enquanto dois receberam penas de 10 anos. Vários haviam deixado os próprios filhos morrerem de fome, impedido que outros fiéis fugissem e cavado as covas dos mortos. A maioria dos acusados não demonstrou qualquer arrependimento.

"Por essa loucura, não haverá misericórdia"

Durante as sustentações orais realizadas no início da semana, por meio de seu advogado, o líder da seita pediu à Justiça "clemência e indulgência". Mas a juíza respondeu: "Por essa loucura, não haverá misericórdia".

"Em Shakahola, a morte era celebrada como um casamento com Jesus (...) uma pena de morte poderia não ser vista como uma sanção, mas como um triunfo e uma forma de martírio", disse a juíza ao justificar a aplicação de penas de prisão. Segundo ela, diante da doutrina do réu, a morte provavelmente seria percebida como uma libertação. "No entanto, é preciso prestar contas", acrescentou.

A prisão perpétua é atualmente a pena máxima prevista pela Justiça queniana, já que o país mantém uma moratória de fato sobre a pena de morte. Não há execuções no Quênia há quase quarenta anos.

O advogado de Paul Mackenzie, mestre Obonyo, já anunciou sua intenção de recorrer da decisão.

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