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Mulher encontra corpo da antiga proprietária em apartamento comprado em leilão em MG

Vítima estaria morta havia cerca de um ano; família acreditava que ela tinha se mudado para outra cidade

6 nov 2026 - 22h37
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Compradora afirmou querer anular leilão
Compradora afirmou querer anular leilão
Foto: Cedido pela defesa

Uma mulher encontrou o corpo da antiga proprietária de um apartamento que havia comprado em um leilão, em Patos de Minas, em Minas Gerais. O cadáver estava em avançado estado de decomposição, sobre a cama do imóvel, e a suspeita é de que a vítima estivesse morta havia aproximadamente um ano. O caso foi descoberto na quinta-feira, 5.

A família da antiga proprietária acreditava que ela havia se mudado para Varjão de Minas, onde estaria morando com o namorado. Segundo a advogada Lahra Lopes, que representa a mulher que arrematou o apartamento, os parentes não sabiam que a proprietária havia morrido.

A compradora procurou o escritório de advocacia porque enfrentava dificuldades para desocupar o imóvel. Ela sabia que ainda havia pertences da antiga proprietária no local e foi orientada a não entrar no apartamento sem antes tentar resolver a situação com algum familiar.

"Ela falou que não tinha encontrado o antigo proprietário, mas que estava em contato com o filho dela. Eu falei que o ideal era que esse filho abrisse o apartamento. E, com muito custo, ela conseguiu e o filho abriu para ela", contou Lahra ao Terra.

A mulher entrou no imóvel acompanhada de um chaveiro. Foi nesse momento que os dois encontraram o corpo. Segundo a advogada, a cliente ficou tão abalada que não conseguiu acionar a polícia, e o profissional precisou fazer a ligação.

O corpo foi retirado do local e encaminhado para os procedimentos periciais. A defesa da compradora aguarda o resultado da perícia do Instituto Médico Legal (IML), que poderá ajudar a estimar quando a mulher morreu.

Embora o apartamento já esteja registrado em nome da compradora, a descoberta do corpo mudou os planos dela. De acordo com Lahra, a cliente não pretende mais morar, vender ou permanecer com o imóvel. No entanto, a devolução não é simples: seria necessário entrar com uma ação judicial para tentar anular o leilão.

A data da morte da antiga proprietária também pode ser decisiva para o andamento do caso. Isso porque, antes de levar um imóvel a leilão por causa de uma dívida, o banco precisa notificar o devedor. A advogada afirma que será necessário verificar se essas comunicações ocorreram quando a proprietária ainda estava viva.

"Se ela já estava morta no momento em que essas notificações foram feitas, elas são inválidas e conseguimos anular o leilão. Mas, se ela estava viva quando foi notificada, o leilão é válido e não há nada que a gente possa fazer para anulá-lo", explicou.

Outro ponto que pode entrar na discussão é a existência de um seguro prestamista vinculado ao financiamento do imóvel. Esse tipo de cobertura pode quitar a dívida em caso de morte do titular, desde que sejam cumpridas as condições previstas no contrato.

"Quando a pessoa morre, os herdeiros enviam o atestado de óbito para o banco, e o banco faz a quitação. Só que, nesse caso, a ex-proprietária estava morta e ninguém sabia", afirmou Lahra.

A advogada também relatou que, segundo informações recebidas da cliente, uma carta foi encontrada no apartamento e mencionaria o leilão. "Então, aparentemente, um dos motivos do suicídio teria sido o fato de o imóvel dela estar indo a leilão e ela não ter como pagar aquela dívida", disse. A hipótese de suicídio foi levantada, mas ainda depende de confirmação pelas autoridades.

Fonte: Portal Terra
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