Morre aos 27 anos Charles, último urso-pardo do Rio Grande do Sul
Animal vivia no Zoo São Braz, em Santa Maria, desde 2009, após anos de maus-tratos em um circo
Charles, o último urso-pardo do Rio Grande do Sul, morreu aos 27 anos no Zoo São Braz, em Santa Maria. Resgatado de maus-tratos em um circo em 2009, o animal viveu 17 anos sob os cuidados da instituição, tornando-se um símbolo do local. A causa da morte será investigada por necropsia na Universidade Federal de Santa Maria, que ficará com o esqueleto para seu acervo de patologia veterinária. Já a pele de Charles passará por taxidermia para ser preservada e exposta no próprio zoológico.
Charles, o último urso-pardo-americano do Rio Grande do Sul, morreu aos 27 anos no Zoo São Braz, em Santa Maria, nesta quarta-feira (2). O animal chegou ao local em março de 2009, depois de aproximadamente nove anos vivendo em um circo, e permaneceu sob os cuidados da equipe do zoológico durante os 17 anos seguintes.
Quando foi levado para Santa Maria, Charles tinha cerca de 10 anos e apresentava sinais das condições em que havia vivido. Segundo o zoológico, ele chegou debilitado, com as patas queimadas e após passar anos em uma jaula de apenas seis metros quadrados, onde também era obrigado a se apresentar sobre chapas de metal quente.
Ao longo dos anos no Zoo São Braz, a equipe buscou oferecer ao animal melhores condições de espaço, alimentação e cuidados. Em uma despedida publicada após a morte, o zoológico relembrou a chegada de Charles e afirmou que sua história foi uma das mais marcantes vivenciadas pela instituição.
"Durante tua passagem sempre fizemos o melhor que podíamos para que tu tivesse um espaço melhor e uma alimentação adequada", escreveu a equipe. Na mensagem, o zoo também reconheceu que o cativeiro não era o ambiente ideal para um urso-pardo-americano, mas afirmou que as condições em que Charles chegou não permitiam seu retorno à natureza.
Charles acabou se tornando uma das principais figuras do Zoo São Braz e fez parte da experiência de milhares de visitantes ao longo dos anos. Para a equipe, a despedida representa o fim de uma convivência que começou há quase duas décadas.
A causa da morte ainda será investigada. Após o óbito, o corpo do urso foi encaminhado à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), onde será submetido a um exame de necropsia. A expectativa é que o resultado seja divulgado em cerca de dez dias.
Depois da análise, a pele de Charles será devolvida ao Zoo São Braz para passar pelo processo de taxidermização, técnica utilizada para preservar a aparência do animal. O esqueleto será incorporado ao acervo do Museu do Laboratório de Patologia Veterinária da UFSM.
Na despedida, o zoológico resumiu o sentimento da equipe diante da perda: "Hoje você descansou Charles, fizemos tudo que podíamos e tudo que estava em nosso alcance".
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