Moraes pede extradição de seu ex-assessor acusado de vazar dados sigilosos
O ministro do Supremo Alexandre de Moraes solicitou a extradição de seu ex-assessor Eduardo Tagliaferro, denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por atuar contra a legitimidade do processo eleitoral e tentar atrapalhar apurações sobre atos antidemocráticos.
A solicitação foi remetida ao Ministério da Justiça, que na quarta-feira enviou o caso ao Itamaraty. Cabe agora ao governo formalizar o pedido junto à Itália, país para onde Tagliaferro se mudou. De lá, ele organiza uma denúncia que pretende apresentar ao Parlamento Europeu contra Moraes.
No documento encaminhado ao ministro, o ministério consta: "Informo a Vossa Excelência que o pedido de extradição do Sr. Eduardo de Oliveira Tagliaferro foi encaminhado ao Ministério das Relações Exteriores, em 20 de agosto de 2025, para formalização junto ao Governo da Itália".
Tagliaferro atuou como assessor de Moraes no período em que ele presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Agora, responde por acusações de violação de sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação que envolve organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Tagliaferro atuou sozinho ou em rede organizada?
Segundo a PGR, o ex-assessor teria vazado informações confidenciais obtidas no cargo para favorecer interesses particulares e de terceiros. Em 30 de julho, ele afirmou em redes sociais que revelaria bastidores do gabinete do ministro. No post, declarou ter "bastante coisa" contra Moraes, a quem acusa de ter "destruído sua vida e de várias pessoas".
A Polícia Federal já havia indiciado Tagliaferro em abril por violação de sigilo funcional com dano à administração pública, após a divulgação de diálogos entre o ministro e servidores do TSE e do Supremo Tribunal Federal (STF).
Apoiado por grupos bolsonaristas, Tagliaferro se diz alvo de perseguição política. Para o procurador-geral da República, Paulo Gonet, sua fuga e alinhamento com outros investigados evidenciam a tentativa de "potencializar reações ofensivas contra o legítimo trabalho das autoridades brasileiras responsáveis pelas investigações e ações penais que seguem em curso regular".
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