Massacre de soldados negros na Revolução Farroupilha gera tombamento inédito no RS
Medida busca reparar apagamento dos Lanceiros Negros e reescrever identidade gaúcha
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) está na fase final do processo de tombamento do Cerro de Porongos, local apontado como palco do massacre dos Lanceiros Negros durante a Revolução Farroupilha. A conclusão está prevista para acontecer ainda em 2026.
O episódio ocorreu na madrugada de 14 de novembro de 1844, quando soldados negros escravizados que lutavam na guerra sob promessa de liberdade foram atacados por tropas imperiais. Segundo relatos históricos, os combatentes haviam sido desarmados antes do confronto, o que alimenta suspeitas de que tenham sido entregues pelos próprios líderes farroupilhas para facilitar um acordo de paz com o Império.
O reconhecimento do local é considerado inédito por destacar a memória da população negra na formação da história do Rio Grande do Sul.
Outro diferencial do processo é o foco na preservação da paisagem histórica do Cerro de Porongos, e não apenas de uma construção física, como normalmente ocorre em tombamentos patrimoniais.
O pedido de proteção do local foi protocolado em 2006, mas ainda existem dúvidas sobre o ponto exato onde ocorreu o massacre e se os corpos dos mais de 100 Lanceiros Negros mortos foram enterrados na área. Ainda assim, o Iphan afirma que o valor histórico do local já está consolidado.
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