As próximas eleições municipais levarão os brasileiros às urnas apenas nos dias 7 e 28 de outubro de 2012, mas já anunciam elementos distintivos: a validade da Lei da Ficha Limpa será decidida pelo STF, a incipiente força política do PSD será colocada à prova e a perenidade da influência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá ser medida em votos.
O gabinete de Joaquim Barbosa confirmou ao Terra, no fim de novembro, que o ministro já havia terminado de fundamentar seu voto em relação à Ficha Limpa. Relator da matéria, Luiz Fux votou por barrar candidatos que tenham cometido deslizes antes de a regra entrar em vigor, em junho de 2010. Barbosa pediu mais tempo para analisar as ações. A discussão orbita questões como as possibilidades de um candidato ser vetado caso seu julgamento tenha ocorrido antes da sanção da nova regra e de a lei esbarrar no princípio da presunção da inocência.
Outro tribunal, o Superior Eleitoral (TSE), concedeu em setembro registro ao PSD, legenda capitaneada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. O novo partido atraiu integrantes do DEM e do PSDB e, ainda em abril, Kassab dizia que, embora fusões com legendas como o PMDB tenham sido cogitadas, a “dimensão” adquirida por sua sigla descartava essa hipótese. Entre os dissidentes de outras agremiações estão o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo; o ex-deputado federal Índio da Costa, vice de José Serra nas eleições presidenciais; o ex-governador do Piauí Hugo Napoleão; a senadora Kátia Abreu (TO); o deputado federal Guilherme Campos (SP), líder da legenda na Câmara; o ex-governador do Distrito Federal Rogério Rosso, aliado de Joaquim Roriz; e o deputado federal Fábio Faria (RN). O PSD, que espera lançar 1,2 mil candidatos a prefeito e 10 mil a vereador, não será tratado pelo PT como adversário, decidiu o partido de Lula em seu 4º Congresso.
Principal responsável pela construção da aliança que elegeu Dilma Rousseff, o ex-presidente deve seguir como peça fundamental na costura de coligações para 2012. Segundo o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), o tratamento contra o câncer “não muda absolutamente nada. O Lula não está morto, nem debilitado. Ele tem uma doença, que é curável, e em três meses vai estar bom”. O novo panorama logo deve receber a tradução retórica da propaganda eleitoral, mas fique atento: ela só será permitida a partir do dia 6 de julho de 2012. Confira o mapa das eleições
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