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Guerra dos Farrapos: revelações documentais mostram como alforria de negros foi rifada em negociação

Acordo entre elites e Império motivou desarmamento e abate dos Lanceiros Negros, apontam historiadores. Episódio ficou conhecido como Massacre de Porongos

19 set 2026 - 09h45
(atualizado às 09h48)
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Resumo
Documentos históricos confirmam que o Massacre de Porongos (1844), na Guerra dos Farrapos, foi uma ação orquestrada entre o Império e os líderes farroupilhas para abater os Lanceiros Negros, desarmados e traídos. A ordem, assinada pelo Barão de Caxias, visava anular a promessa de alforria desses escravizados para viabilizar a paz, atendendo à elite agrária contrária à libertação. Essa revelação combate séculos de invisibilidade histórica e impulsiona a revisão da historiografia tradicional gaúcha.

Documentos históricos oficiais preservados em Porto Alegre revelam em detalhes a articulação por trás do Massacre de Porongos, registrado na noite de 14 de novembro de 1844. O episódio, por décadas omitido da história do Rio Grande do Sul, consistiu no abate planejado dos Lanceiros Negros, tropa formada por trabalhadores escravizados aliciados com a promessa de libertação.

Foto: Quadro de Juan Manuel Blanes/reprodução / Porto Alegre 24 horas

"Regule suas marchas de maneira que, no dia 14 às 2 horas da madrugada, possa atacar o comando a mando de Canabarro, que estará neste dia no cerro de Porongos. (…) No conflito, poupe o sangue brasileiro quanto puder, particularmente da gente branca da província ou índios", diz a carta.

A ordem de ataque partiu de uma correspondência assinada pelo Barão de Caxias com orientações diretas sobre a abordagem ao acampamento em Pinheiro Machado. O local estava dividido entre soldados brancos, indígenas e negros — estes últimos desarmados no momento da abordagem. A ação visava eliminar a exigência de alforria ao fim dos dez anos da Guerra dos Farrapos, permitindo o avanço das negociações de paz entre os rebeldes e o Império do Brasil.

De acordo com análises do historiador Vander Luis Duarte e da diretora do Arquivo Histórico do Estado, Ananda Simões Fernandes, o plano foi traçado de forma conjunta entre as partes em conflito. A decisão atendia aos interesses da elite agrária, que repudiava o cumprimento das promessas de liberdade aos soldados que atuavam como infantes e cavaleiros.

O impacto da revelação dessas fontes documentais impulsiona uma reavaliação da cultura gaúcha e da historiografia oficial. A inclusão da perspectiva negra no movimento tradicionalista busca reconhecer o papel desempenhado pelos combatentes, combatendo a invisibilidade histórica acumulada ao longo dos séculos.

Porto Alegre 24 horas
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