Governo Lula planeja três frentes de combate contra o tarifaço do governo dos EUA
Nota oficial publicada nesta quinta-feira rebate decisão de Washington, aponta superávit histórico dos EUA com o Brasil e mira oposição
A resposta brasileira ao anúncio de novas taxas protecionistas por parte de Washington ganhou contornos de forte confronto diplomático. Nesta quinta-feira (16), o governo Lula manifestou profundo repúdio à decisão dos Estados Unidos de impor a nova tarifa de 25% produtos brasileiros. O tom da manifestação oficial surpreendeu analistas pela rapidez e agressividade política.
O principal argumento econômico do Palácio do Planalto para classificar a nova taxa como injustificada é a própria balança comercial entre as duas nações. Historicamente, os americanos vendem mais para o Brasil do que compram, acumulando um superávit comercial expressivo nas transações bilaterais.
Nova tarifa tem "falta de nexo"
De acordo com o comunicado conjunto divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a economia norte-americana é a maior beneficiária da relação comercial mútua.
Nesse contexto, aplicar barreiras tarifárias adicionais contra um parceiro que já compra mais do que vende contraria o bom senso econômico e as práticas de livre mercado.
"O governo brasileiro ressalta que os Estados Unidos acumulam sistemáticos e expressivos superávits comerciais com o Brasil, o que torna ainda mais carente de justificativa econômica ou comercial qualquer medida restritiva às exportações brasileiras."
— Nota Oficial do Governo Federal, emitida nesta quinta-feira.
Diante desse cenário, a diplomacia brasileira argumenta que a barreira alfandegária enfraquece as cadeias globais de suprimentos e prejudica os próprios consumidores e indústrias em solo americano, que dependem de matérias-primas e insumos vindos de fornecedores brasileiros.
Além do embate externo com a gestão americana, a reação do governo Lula sobre o tarifaço dos EUA também serviu como munição no cenário político interno. Interlocutores do governo federal aproveitaram o momento para criticar parlamentares de oposição e aliados da família do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusando-os de atuar nos bastidores de Washington em defesa de punições econômicas contra o próprio país para desestabilizar a gestão atual.
Em contrapartida, governistas defendem que a aprovação unânime da Lei de Reciprocidade pelo Congresso Nacional demonstra a união das instituições nacionais em defesa do setor produtivo local.
O plano de reação desenhado pelo Planalto envolve:
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Ativação da Reciprocidade: Trâmites acelerados para taxar produtos norte-americanos equivalentes.
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Linhas de Financiamento: Reativação do Plano Brasil Soberano para dar fôlego de caixa a calçadistas, indústrias de autopeças e madeireiras afetadas.
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Batalha na OMC: Disputa formal contra o uso político da Seção 301 americana.
Isolamento ou diversificação acelerada?
A princípio, o Planalto descarta que a nova tarifa resulte no isolamento econômico do país. O Itamaraty reforça que a melhor resposta à ofensiva norte-americana é a aceleração dos acordos do Mercosul com outros blocos internacionais de peso, como a União Europeia e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA).
A estratégia busca descentralizar as exportações industriais, direcionando o fluxo comercial para mercados que ofereçam maior segurança jurídica e estabilidade tarifária no longo prazo.
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