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FHC diz que não vê 'risco à ordem' nas Forças Armadas

Em meio à crise entre Executivo e Judiciário, ex-presidente ressaltou que é necessário 'esforço' para manter regras democráticas

22 ago 2021 20h36
| atualizado às 22h44
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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) minimizou neste domingo, 22, o risco à ordem e à Constituição no País. Ele destacou, no entanto, que é necessário um esforço daqueles que têm compromisso com a vigência das leis para que a regra democrática seja reforçada e mantida. 

"Qual é a possibilidade de quebrar a regra no Brasil? Acho que é baixa", disse Fernando Henrique. Ele participava de um evento do grupo Parlatório com o tema O Futuro de uma Nação e curadoria do ex-presidente Michel Temer, transmitido pela internet. 

 Fernando Henrique Cardoso, ex-Presidente do Brasil
Fernando Henrique Cardoso, ex-Presidente do Brasil
Foto: Paulo Lopes / Futura Press

Neste domingo, reportagem do Estadão mostrou que ex-presidentes da República têm procurado comandantes militares para avaliar o risco de ruptura institucional no País. A reportagem mostrou que os militares têm afirmado que haverá eleições e que o vencedor será empossado, seja ele quem for. A articulação está sendo feita por todos os ex-presidentes, com exceção de Dilma Rousseff (PT).

No evento online, FHC disse não observar neste momento nenhum integrante das Forças Armadas dizendo que vai descumprir as regras e a Constituição.

"Conheço pouco das Forças Armadas, mas não vejo nas Forças Armadas risco à ordem", ele disse. "Neste momento nos cabe apoiar as normas, senão as pessoas se sentem à vontade para agir conforme seus impulsos. Temos que exercer nossa influência para cumprimento da ordem. Para isso tenho coragem", completou.

O ex-presidente também disse que "o fato de ter presidente que é baixo oficial (referência a Jair Bolsonaro) não quer dizer que vai ser autoritário, mas pode ter ímpetos." Na abertura do debate, Temer disse que "toda vez que há desarmonia entre os Três Poderes há inconstitucionalidade".

A transmissão do grupo Parlatório também contou com a participação do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto, do ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, do embaixador Rubens Barbosa, do presidente da Vibra Energia (nova marca corporativa da BR Distribuidora), Wilson Ferreira Júnior, e do general Otávio Rêgo Barros, que foi porta-voz do governo Bolsonaro.

STF tem papel 'construtivo', diz FHC

Para Fernando Henrique, o STF tem tido "papel construtivo", "normal" e "legítimo" de colocar limites nos Poderes Legislativo e Executivo.

"Quando o presidente ou quando o Congresso extrapola, o STF tem que ter coragem. Eu tenho respeito pelo STF, não acho que estejam extrapolando", afirmou.

Na última sexta-feira, 20, Bolsonaro entrou com pedido de impeachment no Senado do ministro do STF Alexandre de Moraes. Mas também tem dito que o ministro da corte Luís Roberto Barroso tem extrapolado os limites da Constituição.

Estadão
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