EUA e Irã alcançam acordo de paz para reabrir Ormuz
Trump auncia liberação imediata do bloqueio naval no estreito. Assinatura oficial está prevista para sexta-feira na Suíça.Os Estados Unidos e o Irã alcançaram um acordo de paz neste domingo (14/06) após semanas de tensas negociações. A informação foi anunciada pelo Paquistão, mediador das conversas de paz, e confirmada pelo chefe da Casa Branca, Donald Trump.
"O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído. Parabéns a todos! Eu autorizo plenamente a abertura sem restrições do Estreito de Ormuz e, simultaneamente, autorizo a retirada imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos," escreveu o republicano na própria rede social. "Navios do mundo, liguem seus motores. Que o petróleo flua!"
Não ficou imediatamente claro com que rapidez o estreito será reaberto a todo o tráfego, nem qual era a posição do Irã. A mídia estatal iraniana repercutiu a declaração do Paquistão, que anunciou "o término imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano".
Uma cerimônia oficial de assinatura do acordo para encerrar a guerra no Golfo Pérsico está prevista para sexta-feira na Suíça, segundo o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif.
Programa nuclear fica pendente
Os termos precisos do acordo não foram imediatamente divulgados. Múltiplas fontes disseram anteriormente à agência de notícias Reuters que o rascunho do acordo reabriria o Estreito de Ormuz, encerraria o bloqueio dos EUA a portos iranianos e estenderia um cessar-fogo.
Ao mesmo tempo, deixaria o programa nuclear do Irã para ser tratado durante um período adicional de 60 dias de negociações.
O texto, em grande parte, tende a restabelece a situação anterior à guerra, após milhares de mortes em três meses. O Irã passa a exercer maior poder de barganha por sua capacidade de influenciar o trânsito no estreito.
A via marítima é crucial para o transporte de petróleo, gás natural e produtos derivados, como fertilizantes, e seu fechamento abalou a economia global.
O acordo havia sido duramente criticado pelo governo de Israel e por críticos dentro do próprio Partido Republicano de Trump. Alguns disseram que ele não melhora os termos do acordo nuclear de 2015 com o Irã, do qual Trump retirou os EUA durante seu primeiro mandato e que ainda descreve como "ruim".
Ataque de Israel colocou acordo em risco
Israel, entretanto, afirmou não fazer parte do acordo planejado entre EUA e Irã. Um ataque israelense contra alvos do Hezbollah em Beirute, no Líbano, colocou o avanço das negociações em xeque neste fim de semana.
Mais cedo no domingo, o negociador-chefe do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que o ataque demonstrava que os Estados Unidos não têm "vontade e capacidade de cumprir seus compromissos."
O Ministério das Relações Exteriores do Irã, por sua vez, disse que responsabilizava os Estados Unidos pelo ataque. O país alertou para uma "forte resposta", e seu comando militar declarou que o "dedo estava no gatilho", pronto para disparar contra o "coração do inimigo".
No domingo, Trump disse: "O ataque desta manhã a Beirute não deveria ter acontecido, especialmente em um dia especial, quando estamos tão perto de um acordo de paz com o Irã."
O conflito entre Israel e o Hezbollah, aliado do Irã no Líbano, foi reativado com o início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã em fevereiro.
ht (Reuters, AFP, AP, ots)
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