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Estoque de mísseis do Irã desafia cálculos de guerra de EUA e Israel

25 mar 2026 - 18h01
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Trump e Netanyahu dizem que "destruíram" e "degradaram" programa de mísseis balísticos e drones do Irã. Continuidade de ataques retaliatórios pelo regime sugere o contrário. Como anda o estoque de armas iraniano?Com a guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã prestes a completar um mês, mísseis iranianos continuam a atingir Israel e os países do Golfo, apesar das declarações de Washington e Tel Aviv de que teriam dizimado esses estoques.

Irã tem instalações militares bombardeadas desde o final de fevereiro, mas continua disparando mísseis balísticos
Irã tem instalações militares bombardeadas desde o final de fevereiro, mas continua disparando mísseis balísticos
Foto: DW / Deutsche Welle

Em 14 de março, a Casa Branca afirmou, via redes sociais, que a "capacidade de mísseis balísticos do Irã foi destruída funcionalmente". Dez dias depois, o Irã segue desafiando essas declarações - algo demonstrado por ataques no último fim de semana que deixaram mais de 100 feridos no sul de Israel.

"A capacidade de lançamento de mísseis foi degradada, mas não exaurida. E isso é significativo", disse à DW Burcu Ozcelik, analista de segurança do Oriente Médio no Royal United Services Institute (Rusi), um think tank de defesa e segurança.

Além disso, os ataques a bases de lançamento e estoques militares iranianos tiveram um impacto reduzido, afirmou via X a cientista política Kelly Grieco, do think tank americano Stimson Center.

"O Irã pode na verdade estar se tornando mais eficiente à medida que a guerra continua", escreveu, citando uma "mudança operacional" do regime.

Ela lembrou que, nos primeiros dias da guerra, o Irã disparou mais de 500 mísseis balísticos e mais de 2 mil drones. Mas a taxa de acerto foi inferior a 5%. Nas duas semanas seguintes, os disparos caíram mais de 90%. E foi aí que, segundo ela, "algo contraintuitivo aconteceu: a taxa de acerto começou a subir. O Irã estava disparando menos, mas acertando com mais frequência."

Mas se ainda é difícil avaliar com precisão a real dimensão do poder militar restante do Irã, o que se sabe de fato?

Quais mísseis o Irã possui?

É difícil responder a essa pergunta com precisão. Isso porque os estoques iranianos não eram sequer conhecidos antes do conflito mais recente e, como observa Ozcelik, o Irã "não tem sido muito transparente ao explicar suas capacidades". O Exército israelense teria estimado cerca de 2,5 mil mísseis antes da guerra, enquanto alguns especialistas independentes sugerem até 6 mil.

De qualquer forma, antes da guerra, o Irã tinha o maior e mais diverso arsenal do Oriente Médio, segundo o Escritório do Diretor de Inteligência Nacional dos EUA.

O think tank americano Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) afirma que isso inclui mísseis balísticos como: Sejjil, Ghadr e Khorramshahr, com alcance de 2.000 quilômetros, Emad (1.700 km), Shahab-3 (1.300 km) e Hoveyzeh (1.350 km).

No entanto, ataques recentes contra a base militar anglo-americana de Diego Garcia, no Oceano Índico, a quase 4.000 km do Irã, sugerem que o país possui mísseis de alcance maior que o estimado anteriormente.

Além de serem armas devastadoras por si só, mísseis balísticos podem servir para transportar ogivas nucleares — embora Teerã negue qualquer intenção de produzir bombas atômicas.

Qual tem sido o impacto da guerra nos estoques iranianos de mísseis?

O disparo de dezenas de mísseis nas últimas semanas, e também durante a Guerra dos 12 Dias contra Israel em 2025, reduziu os estoques. A capacidade bélica do regime também foi afetada por ataques EUA-Israel contra instalações de fabricação de armas. Mas ninguém fora do círculo interno do regime iraniano sabe qual é o tamanho real do prejuízo.

"É por isso que a IRGC [Guarda Revolucionária do Irã] continua lançando ataques e fechou, de fato, o Estreito de Ormuz, o principal ponto de pressão para o regime iraniano", afirma Ozcelik, citando a hidrovia no Golfo Pérsico por onde escoam 20% do petróleo mundial.

O especialista do Rusi diz achar "improvável" que todo o programa de mísseis balísticos do Irã seja eliminado agora por Estados Unidos e Israel.

Há pouca informação concreta sobre quantas instalações de armamentos foram danificadas ou destruídas pelos dois países, embora o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tenha afirmado na semana passada que a capacidade iraniana de mísseis e drones foi "massivamente degradada".

Qual é a capacidade de drones do Irã?

Segundo Matthew Powell, professor de Estudos de Poder Aéreo na Universidade de Portsmouth, na Inglaterra, o número estimado de drones Shahed era de cerca de 80 mil no início de fevereiro. Mas Powell frisa que mesmo essa estimativa é incerta, e que é difícil saber quantos foram usados na atual guerra.

"Drones são extremamente importantes para a força militar do Irã", explica. "O custo relativamente baixo dos drones, em comparação com outros meios aéreos, permite que Teerã projete poder militar e influência política na região a um custo muito menor. Os drones permitem ao Irã atingir infraestrutura vital em países adversários devido à natureza do sistema de armas, especialmente o Shahed 136, que é mais difícil de destruir do que mísseis balísticos maiores."

Os EUA estão gastando aproximadamente 1 bilhão de dólares (R$ 5,2 bilhões) por dia na guerra contra o Irã, e Powell destaca que "o custo dos sistemas necessários para destruir drones é significativamente maior que o do próprio drone".

O Irã é capaz de repor seus mísseis e drones?

Outra vantagem para o Irã é que ele está preparado para repor drones rapidamente, ao menos em tempos normais. "A capacidade estimada é de cerca de 10 mil drones Shahed por mês em condições de paz", diz Powell, observando que os impactos da guerra nessa capacidade ainda não são conhecidos.

Enquanto drones são relativamente fáceis de substituir, mísseis são muito mais complexos. Mesmo assim, o Irã parece capaz de reconstruir seu arsenal. A República Islâmica possui estruturas de rearmamento bem estabelecidas, e dados de 2021-2025 do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri) mostram que o país responde por apenas 0,05% das importações globais de armas.

Na semana passada, o general Ali Mohammad Naeini, porta-voz da Guarda Revolucionária, disse à agência estatal IRNA que o país está produzindo mísseis "mesmo em condições de guerra, o que é impressionante, e não há qualquer problema específico para estocar armamentos". Pouco depois da declaração, Naeini foi morto em um ataque aéreo.

A real questão é se o Irã pode produzir mísseis rápido o suficiente para substituir os perdidos por disparos ou destruição inimiga. Alex Plitsas, ex-funcionário do Pentágono, disse à emissora canadense CBC que o Irã produzia cerca de 300 por mês no início da guerra, mas que agora esse número pode ter caído para 40 por mês — "o equivalente a uma única salva diária".

Embora os EUA e Israel soem confiantes quando afirmam ter atingido alvos importantes em superfície, há relatos de que existem ao menos cinco "cidades de mísseis" subterrâneas em várias províncias iranianas, incluindo Kermanshah e Semnan, além de áreas próximas ao Golfo.

Segundo Ozcelik, do Rusi, neutralizar a ameaça iraniana no longo prazo é um objetivo fundamental para os EUA e Israel.

"Ser capaz de degradar a capacidade do regime de se recuperar, reconstruir e reabilitar seu programa de mísseis quando a guerra terminar — e daqui em diante. Acho que esse é o objetivo no momento, e tem sido desde o início desta guerra", pontua.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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