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Estilo de vida saudável pode prevenir quase metade dos casos de câncer, apontam especialistas

Especialistas explicam como mudanças no estilo de vida ajudam a reduzir riscos

9 mar 2026 - 16h21
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O desejo de viver mais traz uma questão central à medicina moderna: como viver melhor? Diante da projeção da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que os casos anuais de câncer passarão de 20 milhões, em 2022, para 35,3 milhões em 2050, a prevenção se torna urgente. A própria OMS estima que quase 40% dos casos poderiam ser evitados com a redução de fatores de risco.

Foto: imagem meramente ilustrativa / Freepik / Porto Alegre 24 horas

Um dos caminhos para uma vida mais longeva é a Medicina de Estilo de Vida (MEV), abordagem que atua sobre hábitos como tabagismo, consumo de álcool, sedentarismo, alimentação inadequada e estresse crônico. Dados da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) indicam que cerca de 7 milhões dos 18,7 milhões de diagnósticos registrados em 2022 poderiam ter sido prevenidos com um estilo de vida mais saudável.

Segundo a liderança médica do Ambulatório de MEV do Moinhos, Alexander Daudt, hoje a doença é a segunda mais letal do mundo - perdendo apenas para as cardiovasculares. Entre os tipos mais comuns estão os cânceres de mama e de colo de útero, nas mulheres, e de próstata e de pulmão, nos homens.

"Podemos dizer que 50% são passíveis de prevenção, se a gente pensar nas nossas escolhas, em estilo de vida, nós conseguimos entender o porquê estamos tendo essa evolução e uma prevalência maior dessas doenças", comenta o coordenador e médico certificado pelo American College of Lifestyle Medicine.

Para o médico, o diferencial da especialidade está em tratar as causas, e não apenas os sintomas. "Adotamos uma abordagem estruturada, iniciando com uma avaliação abrangente realizada por equipe interdisciplinar composta por médicos, nutricionista, psicóloga, psiquiatra e educador físico. A partir dessa análise individualizada, são estabelecidas metas realistas e progressivas, acompanhamento periódico e uso de ferramentas comportamentais que auxiliam o paciente a manter mudanças sustentáveis", afirma.

Daudt explica que o câncer pode levar cerca de 20 anos para se manifestar, período em que o organismo fica exposto a fatores de risco. Esse intervalo representa uma janela importante de prevenção. Medidas simples - como aumentar o consumo de frutas e leguminosas, moderar o sal e buscar equilíbrio alimentar - já fazem diferença. "O caminho do meio é sempre o mais saudável", aconselha.

Cigarro eletrônico e saúde mental

Um hábito de vida prejudicial, cada vez mais comum entre os jovens, é o uso do cigarro eletrônico, alerta o médico. "O vape é ainda menos regulamentado do que o cigarro convencional, especialmente no que diz respeito ao controle de qualidade. Muitas vezes é comercializado como se não tivesse nicotina, mas contém. Além disso, pode apresentar metais pesados e outras substâncias potencialmente carcinogênicas", explica.

A saúde mental também é peça-chave. O controle do estresse contribui para a prevenção do câncer e de outras doenças crônicas. Sintomas persistentes de insônia, preocupação excessiva ou falta de motivação devem ser avaliados por profissionais. "Estados como ansiedade e depressão podem impactar o sistema imunológico. Em alguns casos, é fundamental associar medicação ao tratamento de psicoterapia", acrescenta.

A influência da genética

O chefe do serviço de Genética do Hospital Moinhos de Vento, Osvaldo Artigalas, explica que, ao contrário do que muitos pensam, a maioria dos cânceres não são hereditários. A estimativa, segundo o especialista, é que em torno de 90% dos diagnósticos não têm influência genética. "São alterações que acontecem por envelhecimento normal da célula e por fatores ambientais, como estilo de vida", comenta.

Histórico familiar relevante - como múltiplos casos do mesmo tipo de câncer em idade jovem - pode indicar a necessidade de investigação genética. O especialista ainda explica que é, a partir desta investigação, que é possível definir se o monitoramento do estilo de vida ou um aprofundamento genético é a melhor conduta de prevenção.

Isto vale para pessoas com câncer em idade jovem, muitos casos em um lado da família ou uma mesma pessoa com múltiplos tumores ou também pessoas com tumores raros. No entanto, cirurgias preventivas só são recomendadas em situações específicas, após avaliação detalhada e testes moleculares.

Porto Alegre 24 horas
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