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Entenda o seqüestro de Washington Olivetto
O publicitário Washington Olivetto passou 53 dias trancado num cubículo com cerca de 3 metros quadrados, construído dentro de um dos quartos de uma luxuosa casa no Brooklin, bairro de classe média alta de São Paulo. As paredes do cativeiro tinham isolamento e a ventilação era feita através de dutos de ar especialmente instalados na casa. Não havia iluminação, e para perder a noção do tempo, Olivetto era obrigado a escutar música 24 horas por dia. Uma cortina escura ainda foi colocada do lado de fora do cubículo, afim de evitar a passagem de luz. Todos os movimentos do publicitário eram filmados por uma câmera de vídeo e depois descritos pelos seqüestradores numa ficha de papel.
O grau de sofisticação do cativeiro não deixa dúvidas: os seqüestradores do publicitário eram profissionais. Um dia antes da libertação de Olivetto, a polícia prendeu seis chilenos em Serra Negra, interior de São Paulo, e começou a entender como os responsáveis pela ação tinham aprendido os detalhes do planejamento. O líder da quadrilha, por exemplo, apontado como Maurício Hernandez Norambuena, integrou a Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR), braço armado do Partido Comunista chileno. Nas décadas de 80 e 90, a FPMR seqüestrou diversos políticos e Narambuena, conhecido no Chile pelo seu codinome, "Ramiro", chegou ser preso após planejar o assassinato de um senador. Cumpria duas penas perpétuas quando, em dezembro de 1996, foi resgatado de helicóptero de um presídio de segurança máxima, num caso que ficou conhecido no Chile como "A Fuga do Século".
Mas apesar da experiência, o grupo liderado por Norambuena não conseguiu evitar chamar a atenção do proprietário da chácara que alugaram em Serra Negra. O local foi escolhido para servir como uma espécie de quartel-general do comando do seqüestro. Denunciados, os criminosos acabaram recebendo uma visita da polícia da cidade. A chácara foi revistada e cartas endereçadas à família do publicitário acabaram apreendidas. O caso Olivetto estava desvendado.
Ainda assim, a chegada da polícia ao cativeiro teve um dedo do acaso. Após serem presos, os seqüestradores ligaram para seus cúmplices em São Paulo dando a ordem para que o refém fosse libertado. Os responsáveis pela segurança de Olivetto fugiram, abandonando o publicitário. Por volta das 22h, faltou luz no Brooklin e o sistema de ventilação do cubículo parou de funcionar. Sentido-se sufocado, Olivetto começou a chamar pelos seqüestradores. Como não obteve resposta, percebeu que estava sozinho e gritou. Na casa vizinha, uma estudante de medicina percebeu algo de estranho e, com a ajuda de um estetoscópio, conseguiu ouvir uma voz dizendo. "Estou seqüestrado. Sou o Washington Olivetto". A mãe da estudante quem chamou a polícia.
Olivetto é o publicitário mais premiado da América Latina. O valor inicial do pedido de resgate chegaria a US$ 10 milhões. A polícia chegou a participar do caso, mas uma empresa inglesa, da qual Olivetto possuía apólice contra seqüestros, indicou uma pessoa para conduzir as negociações.
Redação Terra
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