Entenda por que os Correios vão receber injeção de R$ 6 bilhões do Tesouro Nacional
O ministro do Planejamento não detalhou exatamente como o mecanismo desse novo repasse financeiro será realizado na prática
Para conter uma grave crise financeira e sucessivos prejuízos, o governo federal incluirá um repasse de R$ 6 bilhões do Tesouro Nacional para os Correios no Orçamento de 2027. O socorro financeiro soma-se a um empréstimo bancário de R$ 12 bilhões com garantia da União e a um amplo plano de reestruturação da estatal, que prevê corte de despesas operacionais, programa de demissão voluntária, venda de imóveis e lançamento de um marketplace próprio para tentar reequilibrar as contas.
O governo federal vai incluir uma injeção direta de R$ 6 bilhões para os Correios na Proposta de Lei Orçamentária (PLOA) de 2027. O anúncio foi feito pelo ministro do Ministério do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, em declaração oficial dada ao portal g1. A decisão prevê a destinação de verbas por meio de transferência do Tesouro Nacional e o projeto orçamentário será enviado formalmente ao Congresso Nacional na próxima segunda-feira (31).
Apesar da confirmação da entrada da quantia bilionária na peça orçamentária, o ministro não detalhou exatamente como o mecanismo desse novo repasse financeiro será realizado na prática. A medida visa conter o grave cenário da empresa pública, que se encontra afundada em uma crise econômico-financeira sem precedentes. Nos últimos três anos, a estatal acumulou sucessivos prejuízos no caixa, enfrentando diminuição acentuada de receitas e aumento progressivo das suas despesas operacionais.
Para tentar conter o rombo nas contas, os Correios assinaram no final do ano passado um contrato de empréstimo expressivo no valor de R$ 12 bilhões com cinco das principais instituições bancárias do país. A transação contou com o respaldo formal e a garantia da União. Esse modelo de operação financeira assegura que o governo federal assumirá e honrará o pagamento direto das parcelas negociadas se a empresa pública ficar inadimplente e não quitar os débitos junto aos credores.
O socorro com o crédito bancário de grande porte foi devidamente autorizado pelo Tesouro Nacional e integra a estratégia global de reorganização operacional e financeira da empresa. Além da busca por recursos externos, a estatal iniciou no ano passado um plano de reestruturação. As ações planejadas pela diretoria englobam corte severo de custos, abertura de Programa de Demissão Voluntária (PDV), alienação de imóveis ociosos pertencentes ao patrimônio público, renegociação de contratos, redução de jornada de trabalho, alterações na assistência de saúde dos funcionários, retomada do trabalho presencial e lançamento de um marketplace próprio.
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