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Voto útil e disputa de hashtags ganham espaço no debate sobre eleições no Twitter

FGV analisou dados de interação entre grupos de apoiadores dos candidatos à Presidência

20 set 2018
14h47
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Debates sobre voto útil no primeiro turno das eleições 2018 ganharam projeção no Twitter durante a corrida presidencial, de acordo com a Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas, que analisou dados de interação entre grupos de apoiadores dos candidatos à Presidência. Foram analisados 2,5 milhões de retuítes coletados de sexta, 14, a segunda, 17.

Passada a centralidade do debate presidencial em torno do atentado sofrido por Jair Bolsonaro (PSL) no último dia 6, as discussões em torno do chamado voto útil e, relacionada a esta, o voto de mulheres, vem crescendo. A criação de uma página no Facebook de mulheres contra Bolsonaro, no fim de semana, impulsionou o uso de hashtags como #elenão, usada para manifestar oposição ao candidato, e que também fez apoiadores reagirem em defesa do deputado do PSL.

Vice de Fernando Haddad (PT), Manuela D'Ávila (PCdoB) endossa campanha contra Bolsonaro (PSL) nas redes sociais.
Vice de Fernando Haddad (PT), Manuela D'Ávila (PCdoB) endossa campanha contra Bolsonaro (PSL) nas redes sociais.
Foto: Reprodução/Twitter de Manuela D'Ávila / Estadão

O debate ampliou uma discussão que já ganhava espaço na rede, em relação ao voto útil, à medida que saem novas pesquisas de intenção de voto e discute-se qual candidato seria mais forte para enfrentar Bolsonaro num eventual 2º turno com ele.

A FGV identificou cinco grupos de mobilização relacionados a candidatos na rede: de apoio a Ciro Gomes (PDT), Fernando Haddad (PT), Marina Silva (Rede), João Amoêdo (Novo) e Jair Bolsonaro (PSL). Há ainda mais dois grupos em que não há definição de apoio a determinado candidato: o grupo "rosa", de críticas a Bolsonaro, discussões sobre o 2º turno e sobre o movimento de mulheres; e o grupo "rosa escuro", que destaca posicionamento político de artistas e marcas.

Maior grupo em número de perfis (39,6%) e terceiro maior em interações (13,2%), o grupo rosa tem entre os tuítes de maior repercussão críticas a Bolsonaro e a seus seguidores e que discutem quem teria mais chances de vencê-lo: Ciro Gomes ou Fernando Haddad. Algumas publicações divulgam ou cobram de artistas e marcas seus posicionamentos em relação ao deputado federal. A invasão da página "Mulheres Unidas Contra Bolsonaro" no Facebook também se destaca, junto a acusações contra o presidenciável e parte de seus apoiadores.

O grupo que manifesta amplo apoio a Bolsonaro é o segundo em número de perfis (21,2%), mas é o que gera mais retuítes: 49,4%. Nele, Bolsonaro é o principal influenciador, com destaque para publicações de sua conta oficial que abordam sua recuperação, criticam o PT e afirmam que não há divisão interna em sua campanha. São recorrentes mensagens de mulheres em apoio ao candidato e em oposição ao movimento #elenão, além de postagens de elogio ao que consideram ser uma postura honesta em uma campanha com poucos recursos.

O grupo com publicações de apoio a Fernando Haddad traz como principais influenciadores o próprio candidato do PT, Manuela D'Ávila, Lula e Lindbergh Farias. A entrevista de Haddad ao "Jornal Nacional" é o tema mais recorrente nas principais publicações, que fazem críticas ao jornalista William Bonner. Também há comparações entre a investigação do assassinato de Marielle Franco e a do atentado a Bolsonaro, além de críticas a este e a seu vice, general Hamilton Mourão. Parte das publicações questiona o voto útil em Ciro, destacando a subida de Haddad nas pesquisas.

Estadão

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