Quem é o 'Careca do INSS': conheça o empresário preso por fraudes em aposentadorias, que foi citado no debate da Band
Antônio Carlos Camilo Antunes operou repasses ilegais a servidores e movimentou fortuna com entidades sindicais
Apontado pela PF como o "Careca do INSS", o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes foi preso sob acusação de liderar um esquema de descontos indevidos em aposentadorias que desviou até R$ 6,3 bilhões de 4,3 milhões de segurados. O operador usava 22 empresas para lavar o dinheiro em bens de luxo e imóveis, além de repassar R$ 9,3 milhões em vantagens indevidas a servidores e ex-dirigentes da autarquia. Sua defesa contesta a prisão e afirma que comprovará a licitude de seus negócios à Justiça.
O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes é o operador financeiro identificado pela Polícia Federal sob o codinome de Careca do INSS. As autoridades o apontam como o articulador central do esquema de descontos associativos não autorizados nos contracheques de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social. Ele foi tema do debate da Band.
Conforme dados fiscais analisados pelos agentes da PF, Antunes mantinha registro de atividade como gerente e remuneração mensal declarada de R$ 24.458,23, patamar financeiro incompatível com as transações bancárias identificadas durante as diligências.
O inquérito da Operação Sem Desconto, instaurado em conjunto com a Controladoria-Geral da União, calculou que as deduções indevidas na folha previdenciária retiraram até R$ 6,3 bilhões de mais de 4,3 milhões de segurados.
Como funcionava a estrutura empresarial do operador?
Antunes mantinha participação formal em 22 pessoas jurídicas atuantes nos ramos de consultoria, cobrança telefônica e incorporação imobiliária. O principal instrumento utilizado nas transferências foi a Prospect Consultoria Empresarial, localizada no Edifício Connect Towers, em Águas Claras.
Documentos contábeis apontaram o ingresso de R$ 48,1 milhões vindos de entidades associativas e outros R$ 5,4 milhões de firmas vinculadas a essas mesmas organizações, totalizando R$ 53,5 milhões em créditos corporativos.
Quais bens foram adquiridos com os recursos desviados?
A apuração patrimonial localizou uma companhia constituída nas Ilhas Virgens Britânicas que comprou quatro imóveis situados em Brasília e São Paulo, avaliados conjuntamente em R$ 11 milhões. Em 2024, transações imobiliárias realizadas com a cônjuge somaram R$ 14,3 milhões.
A relação de bens confiscados reuniu veículos importados dos fabricantes Jaguar, Audi e BMW. Um automóvel modelo Porsche Taycan, ano 2022, acabou transferido pelo operador para a mulher de um ex-dirigente do órgão previdenciário.
Quais autoridades receberam pagamentos do investigado?
O relatório oficial da corporação detalhou o envio de R$ 9,3 milhões em vantagens a servidores públicos federais. Entre os destinatários de repasses figuraram Thaisa Hoffmann Jonasson, consorte do então procurador-geral Virgílio Oliveira Filho, e o ex-diretor Alexandre Guimarães.
O advogado Eric Fidelis também foi identificado no fluxo financeiro das empresas intermediárias ao receber R$ 5,1 milhões em conexão às atividades do ex-diretor de Benefícios André Fidelis.
O que declarou a defesa sobre as acusações?
O advogado Cleber Lopes sustentou que a prisão do cliente carece de respaldo probatório e informou que levaria documentos aos autos para atestar a licitude dos negócios. Durante oitiva na CPMI, o empresário afirmou ser vítima de narrativa concebida por Eli Cohen e classificou a alcunha de personagem fictício.
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