Por debate, candidata tenta furar bloqueio da PM em Curitiba
Única dos oito candidatos à Prefeitura de Curitiba não convidada a participar do debate da RIC TV, na noite desse domingo (25), a advogada e militante feminista Xênia Mello (Psol) decidiu comparecer à emissora mesmo assim, entretanto, acabou parando no bloqueio da Polícia Militar (PM). Como tem feito em todo o País, a afiliada da Rede Record no Paraná se baseou na Resolução nº 23.457/2015 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para restringir o número de participantes.
Conforme o parágrafo 2º do artigo 32 do documento, só é garantida a presença dos candidatos filiados a legendas com representação superior a nove parlamentares na Câmara dos Deputados, o que não é o caso do Psol. No mês passado, o plenário do TSE decidiu que ficaria a cargo dos organizadores dos debates definir a participação dos demais, sem que os outros adversários pudessem vetar. A PM cercou a sede da RIC, permitindo apenas a passagem de quem tinha credencial.
“A Record tem medo de democracia, mas a Frente de Esquerda Psol e PCB não tem medo do debate. Acho uma falta de respeito com a população de Curitiba, que tem direito a ter acesso à informação. Quando a Record coloca inclusive os policiais militares a impedir o nosso acesso, desrespeita a população de conhecer as nossas propostas”, afirmou Xênia, em entrevista à imprensa. Negra e bissexual, a advogada disse ser a única representante da periferia, “que anda de ônibus, usa a escola pública e o SUS (Sistema Único de Saúde)”.
A psolista também lembrou que a minirreforma eleitoral de 2015, que modificou as regras, foi organizada pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “Tenho orgulho de fazer parte do Psol, que foi o protagonista da cassação do Cunha, e é protagonista do enfrentamento a essa violação da democracia. A gente é pelo ‘Fora Temer’”, completou. Xênia estava acompanhada de um grupo de correligionários e apoiadores.
Estiveram no encontro de ontem: Ademar Pereira (PROS), Gustavo Fruet (PDT), Maria Victoria (PP), Ney Leprevost (PSD), Rafael Greca (PMN), Requião Filho (PMDB) e Tadeu Vereni (PT). Logo no primeiro bloco, o peemedebista e o petista citaram a exclusão da concorrente, prestando solidariedade. Já Afonso Rangel (PRP) teve sua candidatura indeferida pela Justiça Eleitoral no último sábado (24). A justificativa é de que ele não apresentou a prestação de contas de 2012, quando disputou uma vaga de vereador. Como não há possibilidade de recurso, Rangel ficou de fora do pleito.
Comentários
As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.