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Candidatos se lançam como 'apoiadores de Bolsonaro' no NE

Sem declaração de apoio formal do presidente, candidatos a prefeito invertem o processo e declaram apoio ou usam o nome de Bolsonaro na única região em que ele foi derrotado em 2018

19 out 2020
13h47
atualizado às 13h49
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NATAL - Única região onde o presidente Jair Bolsonaro saiu derrotado no 2º turno das eleições de 2018, o Nordeste presencia uma multiplicação de candidaturas bolsonaristas no pleito de 2020. Utilizando fotos, jargões e mesmo citando o presidente em peças publicitárias, candidatos a prefeito na maioria das capitais tentam aproximar suas imagens à de Bolsonaro para conquistar parte do eleitorado.

Antes da campanha começar, o presidente declarou que não participaria ativamente do primeiro turno. Bolsonaro, no entanto, mudou de ideia e, como mostrou reportagem do Estadão, interferiu diretamente na formação da chapa de Celso Russomanno, fazendo a ponte entre o candidato do Republicanos e o PTB, que aceitou a vaga de vice em São Paulo.

Candidatos a prefeito em oito capitais nordestinas tentam aproximar suas imagens à de Bolsonaro durante a campanha.
Candidatos a prefeito em oito capitais nordestinas tentam aproximar suas imagens à de Bolsonaro durante a campanha.
Foto: Fotos: Divulgação/TSE; Montagem: Estadão / Estadão Conteúdo

Sem a declaração formal de apoio do presidente, os candidatos se anteciparam e fizeram o movimento inverso, dizendo-se apoiadores de Bolsonaro. Catorze candidatos em oito capitais nordestinas fazem campanha usando referências ao chefe do Executivo federal, como mostra levantamento feito pelo Estadão.

O levantamento levou em consideração publicações feitas nas redes sociais das campanhas e peças publicitárias exibidas durante o horário eleitoral gratuito. Também foram considerados os candidatos lançados pelo PRTB, partido do vice-presidente, Hamilton Mourão. Se fossem consideradas declarações públicas simpáticas ao presidente, como em debates e entrevistas, o número seria ainda maior.

"Exatamente pelo fato de Bolsonaro ter perdido as eleições no Nordeste, setores ligados a ele, ou que querem se ligar a ele, tentam criar uma alternativa que não existia até então. É uma iniciativa política que quer criar uma nova realidade e se apoia no prestígio do presidente para penetrar em uma área em que ele ainda está enfraquecido", avalia o cientista político José Álvaro Moisés, professor da Universidade de São Paulo (USP).

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Estadão
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