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Discurso justifica rejeição a Bolsonaro, dizem especialistas

De acordo com pesquisa do CNI/Ibope divulgada nesta quinta-feira, deputado federal e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lideram rejeições

28 jun 2018
23h30
atualizado em 29/6/2018 às 08h58
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A rejeição ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ), de 32%, a maior entre todos os presidenciáveis, de acordo com pesquisa do CNI/Ibope divulgada nesta quinta-feira, 28, pode ser explicada pelo discurso radical, declarações polêmicas contra mulheres e homossexuais e decisões do parlamentar ao longo de sua trajetória política. A pesquisa revelou que Bolsonaro perde mais votos entre mulheres e pessoas com menor renda nas eleições 2018.

Rejeição a Bolsonaro é a maior entre os presidenciáveis
Rejeição a Bolsonaro é a maior entre os presidenciáveis
Foto: DIDA SAMPAIO / Estadão

Marco Aurélio Nogueira, cientista social e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), citou como um motivo o fato de Bolsonaro não acolher questões da agenda das mulheres brasileiras, como a igualdade salarial e a equiparação de direitos. "De todos os candidatos que já surgiram no País, ele é o mais hostil às mulheres".

Para Nogueira, a rejeição deve-se também ao estilo autoritário e à atuação em seus sete mandatos como deputado federal. "Muita gente considera que esse estilo de fazer política (autoritário) é inadequado para o País. Além disso, ele não teve uma atuação expressiva em quase 28 anos como parlamentar", avalia.

Carlos Melo, cientista político do Insper, diz que o fato de Bolsonaro se posicionar contra o ex-presidente Lula, condenado e preso pela Operação Lava Jato, o afasta dos eleitores que admiram o petista. "A população que se sente beneficiada com as políticas do Lula, em especial no Nordeste, reage contra o Bolsonaro."

O segundo mais rejeitado na pesquisa é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento mostra que 31% dos brasileiros são contrários ao petista. Apesar disso, Lula lidera o cenário eleitoral em que é incluído, com 33% das intenções de voto, seguido de Bolsonaro, com 15%. Sem o petista, o deputado federal do PSL lidera com 17%, seguido de Marina Silva, com 13%.

O terceiro mais rejeitado é o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), com 22%. O professor emérito de ciência política da Universidade de Brasília (UnB) David Fleischer diz que o desgaste da imagem do político, que comandou São Paulo por quatro mandatos, é um dos fatores que pesam contra ele. Fleischer cita ainda como motivo as investigações de desvios de dinheiro em torno da construção do Rodoanel.

A ex-ministra Marina Silva tem rejeição de 18%, a mesma de Ciro Gomes (PDT). Para Maurício Fronzaglia, professor de ciências políticas do Mackenzie, pesa contra Marina a ideia de que ela não se manifesta de maneira firme em momentos de crise do País. "Para muitos, ela parece uma liderança muito leve".

Ele cita como desafios a estrutura partidária da Rede, pequena em comparação com outros partidos, e a baixa capilaridade da sigla. "O partido tem pouco alcance em cidades do interior, o que é prejudicial, além do pouco tempo de TV", diz. "Marina precisa de alianças que deem maior consistência partidária e representatividade."

Sobre Ciro, Fronzaglia diz que o temperamento forte é o que mais atrapalha o pré-candidato. "Isso pode passar uma imagem de ser impulsivo, o que não dá a sensação de segurança para que ele consiga mais apoio", afirma.

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Estadão
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