Eleições 2026: imprensa alemã vê democracia do Brasil "em risco" com duelo entre Lula e Flávio Bolsonaro
A imprensa alemã destaca a eleição de 2026 no Brasil, entre Lula e Flávio Bolsonaro, como uma disputa entre forças democráticas e o autoritarismo de direita que põe a democracia em risco. Jornais alertam para o alinhamento de Flávio aos interesses de Donald Trump e o avanço sobre recursos naturais, além de apontarem que o senador mantém forte competitividade eleitoral apesar de escândalos, impulsionado pela crise no STF e pela descrença popular nas instituições.
Jornais veem disputa entre forças "democráticas" e "autoritárias de direita", com risco de "retrocesso" no maior país da América Latina. Crise no STF, caso Master e interesses de Trump também ganham destaque.As eleições no Brasil são destaque na imprensa alemã neste domingo (04/10). Os principais veículos da Alemanha citam a alta do custo de vida e a segurança pública como as principais preocupações do eleitorado brasileiro, mas afirmam que a eleição deve ser decidida por outros fatores.
O jornal Zeit, ao citar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), resume a eleição a uma disputa entre forças "democráticas" e "autoritárias de direita" com visões distintas de sociedade. "Lula faz campanha por um Brasil soberano e multilateral que supera a pobreza. Flávio quer transformar o Brasil em um Estado e segurança autoritário e aproximá-lo mais dos Estados Unidos de [Donald] Trump."
A vitória de Flávio, segundo o Zeit, poderia ajudar Trump "a consolidar o domínio dos Estados Unidos sobre a América Latina", após a virada à direita do continente nos últimos anos. "O Brasil tem algumas coisas em seu solo que poderiam interessar ao governo americano: enormes estoques de terras raras, minério de ferro e petróleo."
O jornal, contudo, escreve que alguns eleitores podem preferir Flávio diante das conexões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes - inimigo preferencial do bolsonarismo - com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.
O jornal Sueddeutsche Zeitung alerta em duas reportagens que a "democracia do Brasil está em risco de novo", com destaque para a crise no STF, e que o país é a "última peça do quebra-cabeça de Trump".
"Nada cola" em Flávio Bolsonaro
Já a revista Der Spiegel publicou um perfil sobre Flávio em que o descreve como "o Bolsonaro mais malquisto", porém com boas chances de derrotar Lula nas urnas. Segundo a revista, a imagem do senador parece não ser abalada por "escândalos de corrupção e suas conexões com o submundo" do crime.
"Flávio não consegue empolgar os eleitores como o pai. Ele está longe de levar tantas pessoas às ruas quanto Jair Bolsonaro. Ainda assim, tem boas chances de derrotar Lula", afirma a revista, citando a certeza entre seus eleitores de que, se ele vencer, Jair Bolsonaro será posto em liberdade e passará a governar em seu lugar.
"A vitória de Flávio seria um retrocesso para a democracia no maior país da América Latina", escreve a revista alemã, citando o apoio do governo de Trump ao candidato.
Sobre as suspeitas até agora levantadas contra o senador e suas relações com Vorcaro, a Spiegel escreve que "nada até agora colou". "Isso porque muitos brasileiros veem a atuação do Judiciário contra o clã Bolsonaro como parte de uma enorme conspiração do establishment político. Eles não acreditam que Bolsonaro tenha tentado dar um golpe de Estado."
"O Brasil continuará sendo um contraponto a uma região que se desloca cada vez mais para a direita ou se juntará ao novo bloco pró-Trump na América do Sul?", questiona o site Tagesschau, da emissora pública de TV ARD, uma das mais populares da Alemanha.
ra/cn (ots)
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