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SP lança programa de alfabetização: modelo funciona? Especialistas comentam

Programa de alfabetização do governo de São Paulo promete alfabetizar 90% das crianças com 7 anos de idade até 2026

21 fev 2024 - 03h10
(atualizado às 09h07)
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O governo de São Paulo promete alfabetizar 90% das crianças com 7 anos de idade até 2026, e pretende atingir esse objetivo por meio do programa educacional Alfabetiza Juntos SP, lançado pela gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) nessa terça-feira, 20.

A proposta prevê uma parceria do Estado com os municípios, e a eficácia da política do governo paulista será testada por meio de provas que serão aplicadas três vezes ao ano. Esses exames avaliarão a fluência leitora dos alunos do 2º ano do Ensino Fundamental.

A fluência leitora, na prática, é a habilidade de ler corretamente um total de 45 a 60 palavras por minuto, e servirá de indicador para avaliar o nível de alfabetização dos alunos paulistas.

"Me preocupa uma política que seja muito centrada em apenas um dos aspectos da alfabetização, que é a fluência leitora, e desconsidera outros aspectos que são importantes da leitura e da própria produção escrita", afirma. "Se a alfabetização focar apenas na decodificação, até pode gerar bons resultados em testes, mas não vai garantir que o aluno, na sequência, consiga ler e compreender (um texto), construir sentido, e interpretar o que está lendo", acrescenta.

Ela sugere também que avaliação seja mais abrangente e não fique restrita somente aos estudantes de de 7 anos, uma vez que alunos que foram alfabetizados durante a pandemia, há três, quatro anos, podem apresentar uma defasagem nas habilidades de leitura e escrita.

"(O programa) Tem foco muito grande no 2º ano, mas é necessário olhar para os estudantes que estão mais adiantados, que são alunos que estavam no 1º e no 2º durante a pandemia, e agora estão no 5º e 6º ano", diz.

Qualificação do ensino infantil

Mariana Luz, CEO da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, entende que o lançamento do Alfabetiza Juntos SP é uma amostra de que o governo de São Paulo assumiu "papel fundamental" na articulação com as demais esferas administrativas e entende que o programa tem acertos por considerar as idades corretas de alfabetização.

Para ela, porém, ainda é necessário que o governo avance na qualificação da educação infantil e na conexão desses processos de aprendizagem nas demais etapas educacionais".

"É impossível falar de alfabetizar o 1º e 2º anos sem conectar isso a todo um processo de desenvolvimento que começa na gravidez e segue na primeira infância — que é a fase da creche (do nascimento aos 3 anos e) e também a fase da pré-escola (etapa de 4 a 5 anos e 11 meses)", diz a especialista.da creche (do nascimento aos 3 anos e) e também a fase da pré-escola (etapa de 4 a 5 anos e 11 meses)", diz a especialista.

Estadão
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