Sem lousa, mas com ensino híbrido

Mesmo colégios adeptos de recursos tecnológicos acreditam na mistura de ambiente virtual com itens físicos como livros

18 out 2020
05h10
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A entrada das escolas no mundo virtual tem mostrado que três objetos clássicos das instituições de ensino - lousa, livro e caderno de papel - podem ser substituídos pelos similares na versão digital, sobretudo com alunos a partir do 6.º ano. Nenhuma escola aboliu por completo esses objetos, e instituições que já vinham investindo pesado no meio digital salientam que a educação de hoje, assim como nos próximos anos, é híbrida.

Nos colégios da vanguarda tecnológica, o antigo quadro negro foi o primeiro a cair em desuso. "Não usamos mais quadros tradicionais, e o som estridente do giz só é lembrado por alguns de nossos funcionários mais velhos", afirma Titus Edge, headmaster da St. Paul's School. As salas de aula têm quadros brancos interativos que podem ser usados para escrever e exibir o conteúdo de um dispositivo.

Edge destaca, contudo, que as tecnologias não são o mais importante da escola. "Eu preferiria ter um professor experiente, inventivo e carismático, munido de apenas um pedaço de giz e um quadro, do que alguém com acesso a toda a tecnologia do mundo, mas sem o talento", afirma.

Na St. Paul's, os cadernos e os livros impressos ainda mantêm seu reinado inabalável. Mas, em outras escolas, até esses começam a perder espaço. Aluno do 2.º ano do ensino médio do Colégio Bandeirantes, Marcelo Vampré, de 16 anos, já não usa cadernos há quatro anos. "Quando preciso anotar alguma coisa, se tenho que resolver um exercício de Matemática, Química ou Física, uso o tablet como se fosse uma folha de papel", conta o estudante. "Acho até melhor o tablet, porque você pode apagar, colocar cores diferentes."

A adoção massiva de novas tecnologias no Bandeirantes vem de muito antes de as aulas se tornarem remotas por causa da pandemia. Em 2014, um dispositivo móvel passou a fazer parte da lista de materiais obrigatórios da escola. Os alunos escolhem se usam livros em papel ou digitais. Já havia um estúdio para gravação de aulas na instituição, e as lições de casa eram passadas por uma plataforma online. Todos os avisos para os pais chegavam por um aplicativo.

Combinação

"Temos uma cultura digital muito forte. Ainda assim, a escola é um lugar de encontro de pessoas, de conversas olho no olho", afirma Emerson Bento Pereira, diretor de tecnologia educacional do colégio. O dia a dia dentro da instituição é, de fato, híbrido. Estudantes usam às vezes livros impressos, em outras digitais. A maioria ainda adota cadernos, mas Pereira notou que desde o ano passado cresceu o número de estudantes que preferem os tablets com caneta.

No Porto Seguro, o dispositivo móvel entrou para a lista de materiais obrigatórios neste ano, para o fundamental 2 e médio. "Nossa passagem para o ensino remoto acabou sendo mais tranquila porque todos já tinham equipamentos próprios, sem precisar dividir", afirma Iara Bertolani, diretora do Fundamental 2 do colégio.

Os mundos analógico e digital continuam convivendo. "Não consigo enxergar a educação sem o uso da tecnologia, mas eles leem Machado de Assis com o livro físico, ao menos a maior parte deles", relata Iara. Rafael Goes da Cunha, de 14 anos, no 9.º ano do Porto Seguro, vive essa rotina mista sem problemas. "Tenho um caderno de anotações, mas prefiro entregar trabalhos digitais. Para ler, tanto faz o livro em papel quanto o tablet."

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Estadão
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