Incentivo ao estudo não é exclusividade das grandes empresas

Fintech de empréstimos pessoal dá R$ 2 mil por ano para colaborador gastar com cursos e está finalizando montagem de universidade corporativa

29 out 2020
13h01
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A importância de manter o colaborador da empresa sempre atualizado, colocar em prática o conceito do lifelong learning, não é mais exclusividades das grandes empresas. A Lendico, fintech de empréstimos pessoal, está terminando de estruturar a sua universidade corporativa, com expectativa de inauguração da plataforma entre dezembro e janeiro.

Para testar a nova aposta, desde outubro do ano passado a instituição concede a cada funcionário o crédito de R$ 2 mil anuais para investir nos cursos que deseja, desde que aprovados internamente.

"Oferecer o crédito foi o início do processo. Criar uma universidade é um caminho longo, então a ideia foi oferecer a verba e o tempo para o pessoal se dedicar ao estudo enquanto montamos a instituição", diz Rode Ziembick, chefe de Recursos Humanos da Lendico. Os cursos podem também ser realizados durante o trabalho. "Entendemos que muitos (funcionários) têm família para cuidar e também saem cansados após o dia de expediente", conta.

Rode Ziembick, chefe de Recursos Humanos da Lendico.
Rode Ziembick, chefe de Recursos Humanos da Lendico.
Foto: Divulgação/ Lendico / Estadão

A verba, segundo a chefe do RH, tem sido usada para cursos específicos, como inglês, Excel, liderança, comunicação não violenta e matemática financeira, por exemplo. "Minha ideia é que os cursos com maior demanda estejam dentro da Academy Lendico para que eles (colaboradores) possam usar a verba com outros aprendizados." A iniciativa do dinheiro extra para estudos deu tão certo que não será cortado após o início dos cursos na universidade.

Instituições parceiras

A diretora de operações acadêmicas e educação executiva da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Flávia Flamínio, explica que o processo para criação de uma universidade corporativa é longo e pode demorar até quatro anos para ficar bem estruturado. "É preciso que haja um objetivo muito claro de desenvolver profissionais específicos, de acordo com a demanda, porque é um investimento grande. Por isso a maioria das empresas que possui universidade são médias e grandes ou associações de classes."

A ESPM possui mais de uma dezena de organizações parceiras, como Petrobras e a Sicredi, que recebem ajuda para criar cursos exclusivos. "O ser humano precisa aprender o tempo todo. E precisa aprender coisas novas, de forma cada vez mais rápida, o tempo todo. As empresas vão ter de oferecer isso. Não sei quando as menores conseguirão enxergar e terão capacidade de investimento, mas elas serão pressionadas. Hoje você aprende uma tecnologia e ela muda em poucos meses. E isso impacta na rede de negócios, não apenas no seu."

Outra instituição que ajuda empresas a desenvolverem seus cursos sob medida é o Insper, que tem mais de 35 companhias ativas em seu portfólio. Foi o Insper que apoiou, por exemplo, a elaboração de um MBA customizado para o Bradesco e um curso anual para a Ambev formar vice-presidentes. É um tipo mais específico de colaboração e parceria com universidades corporativas. São cursos geralmente voltados para altos executivos, com maior tempo de duração.

Durante a pandemia, o Insper também precisou mudar a oferta para os clientes. "Vimos que as empresas procuravam temas mais relevantes para essa etapa inesperada de isolamento social", disse Rodrigo Amantea, coordenador acadêmico de Educação Executiva do Insper. "Lançamos cursos de resiliência na liderança, liderança em times remotos, como lidar com a complexidade, comunicação não violenta. Notamos que foram os que mais lotaram", acrescentou.

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