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Diretor do Museu Judaico de Berlim renuncia após controvérsia

15 jun 2019
14h02
atualizado às 14h26
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Peter Schäfer vinha sendo criticado por entidades judaicas e políticos israelenses após organizar exposição acusada de ser "pró-palestina" e divulgar texto sobre campanha de boicote a Israel.O Museu Judaico de Berlim informou que seu diretor, Peter Schäfer, renunciou ao cargo na sexta-feira (14/06) para "evitar mais desgaste" para a instituição, que recebe 700 mil visitantes anualmente e que se descreve como um "local de reflexão" sobre história e cultura judaica da Alemanha.

Peter Schäfer comandava o museu desde 2014 e seu contrato havia sido recentemente renovado até 2020
Peter Schäfer comandava o museu desde 2014 e seu contrato havia sido recentemente renovado até 2020
Foto: DW / Deutsche Welle

O museu vinha sendo alvo de criticas há meses por causa da exposição temporária "Bem-vindo a Jerusalém", que abordou a vida cotidiana, a religião e a política na cidade santa. Alguns grupos e políticos apontaram que a exibição era tendenciosa em favor do ponto de vista palestino.

Mas o estopim para a saída de Schäfer ocorreu nesta semana após a conta do museu no Twitter publicar o link para uma reportagem sobre acadêmicos israelenses que condenaram uma resolução do Bundestag (Parlamento Alemão) que classificou o movimento pró-palestino de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) de "antissemita".

Legisladores alemães disseram que o BDS usa métodos antissemitas para promover seus objetivos políticos, uma acusação que é rejeitada pelo movimento, que promove boicote econômico, cultural e acadêmico de Israel para forçar o país a mudar suas políticas para os palestinos e colocar fim à ocupação da Cisjordânia, das Colinas de Golã e de Jerusalém Oriental.

Segundo os deputados do Bundestag, parte da campanha do BDS remete inevitavelmente a antigas iniciativas promovidas pelos nazistas que usavam slogans como "não compre de judeus".

O tuite do museu imediatamente provocou críticas de entidades judaicas da Alemanha e da embaixada israelense em Berlim.

Em uma entrevista publicada na quarta-feira, Schäfer disse à revista Der Spiegel que o tuite sobre o texto que criticou a resolução foi apenas uma "contribuição para a discussão" do tema.

Netanyahu exigiu o enceramento da exposição

Schäfer também havia defendido a exposição "Bem-vindo a Jerusalém" do museu. Segundo ele, não houve a adoção de uma linha anti-israelense ou pró-palestina.

Em dezembro passado, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, escreveu para a chanceler federal Angela Merkel exigindo o encerramento da exposição. Na época, o jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung citou declarações de Schäfer, que descreveu Jerusalém como o "lugar de anseio por judeus, cristãos e muçulmanos".

A acusação de Netanyahu contra a exposição - que durou entre dezembro de 2017 até abril deste ano - de que ela equivalia a uma "visão palestino-muçulmana" unilateral foi classificada como interferência política tanto por Schäfer quanto por Monika Grütters, comissária do governo alemão para a cultura e a mídia.

Na sexta-feira, Schäfer voltou a defender a exposição, dizendo que ela não produziu propaganda anti-israelense nem pró-palestina.

Em março, Schäfer também havia sido envolvido em outra controvérsia quando recebeu o chefe do departamento de assuntos culturais da embaixada iraniana em Berlim, Seyed Ali, em sua casa. Na ocasião, ele disse que o encontro visava discutir uma possível exibição de fotos de arquivo de judeus iranianos, segundo o Süddeutsche Zeitung.

Partida "respeitada"

Grütters, que preside a diretoria da fundação do museu, disse na sexta-feira que respeita a decisão de Schäfer de deixar o cargo.

"Todos os responsáveis devem ajudar a garantir que o Museu Judaico de Berlim possa se concentrar novamente em seu importante trabalho em termos de conteúdo", disse Grütters.

O presidente do Conselho Central dos Judeus da Alemanha, Josef Schuster, disse no início desta semana que o museu parecia "totalmente fora de controle" e questionou se a instituição ainda poderia usar o termo "judaico" em seu nome. Ele também disse que Schäfer precisava sair para "evitar danos adicionais".

Schuster também disse ao jornal Tageszeitung, de Berlim, que o judaísmo deveria ter "mais influência" na instituição no futuro e que ele veria com bons olhos a nomeação de um diretor judeu para o museu, que recebe financiamento do governo federal alemão.

Em abril, o conselho do museu havia prorrogado o contrato de Schäfer até 2020. Ele comandava a instituição desde 2014. No texto que anunciou a saída de Schäfer, o museu informou ainda que o diretor-executivo Martin Michaelis vai comandar interinamente a instituição até que um sucessor seja escolhido.

JPS/dpa/ots

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