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Guia dos Bancos Responsáveis 2018, divulgado pelo IDEC, aponta falhas em políticas dos principais bancos brasileiros

28 nov 2018 - 15h10
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O Idec, ONG de Defesa do Consumidor, lançou a edição 2018 do Guia dos Bancos Responsáveis (GBR). O estudo, que já foi feito em outros oito países e chega a sua 7ª edição no Brasil, avalia as políticas e práticas dos bancos em 18 temas de interesse da sociedade, relacionados aos consumidores, meio ambiente e economia.

Foto: DINO / DINO

Atualmente, mais de 140 milhões de brasileiros utilizam o banco para receber salário, movimentar dinheiro, fazer investimentos ou empréstimos. Os bancos, por sua vez, são remunerados de várias formas: principalmente pelas tarifas, juros e serviços.

O dinheiro que fica "guardado" no banco é repassado por meio de empréstimos para terceiros. Mas quem são esses terceiros? E se, indiretamente, esse dinheiro estiver financiando guerras ou o desmatamento das florestas?

Para dar este tipo de informação ao consumidor, o Idec, por meio do GBR 2018, analisou as políticas de nove bancos: Banco do Brasil, Bradesco, BNDES, BTG Pactual, Caixa Econômica Federal, Itaú, Safra, Santander e Votorantim.

Cada um deles foi avaliado, com notas de 0 a 10, em 18 itens divididos em três grupos: temas transversais, no qual entram mudanças climáticas, corrupção, igualdade de gênero, direitos humanos, direitos trabalhistas, meio ambiente e impostos. Temas setoriais, como armas, alimentos, florestas, setor imobiliário e habitação, mineração, óleo e gás e geração de energia; e também em 4 temas operacionais, que são direitos do consumidor, transparência e prestação de contas, inclusão financeira e remuneração.

"O GBR é um instrumento importante para o consumidor saber, por exemplo, se o banco com o qual trabalha é transparente, respeita os consumidores e promove ideias que estejam de acordo com ele. Queremos dar para cada pessoa o poder da informação, e assim, aumentar a sua capacidade de fazer escolhas", afirma a economista do Idec, Ione Amorim, responsável pelo estudo.

O resultados mostra os bancos com um desempenho fraco. Em três temas (direitos trabalhistas, meio ambiente e inclusão financeira), as notas são satisfatórias, mas isso se deve principalmente à legislação brasileira, que nesses assuntos força que as instituições adotem políticas mais rígidas. Contudo, os resultados ruins nos outros 15 temas, principalmente "Armas", "Mudanças Climáticas" e "Setor Imobiliário", derrubaram a nota final, que ficou entre 2 e 4,3.

Os piores resultados foram no tema "Armas". O item avalia o financiamento ou investimento em empresas envolvidas na produção, manutenção e distribuição de minas terrestres, munições de fragmentação e armas biológicas, químicas ou nucleares. Com exceção do Santander e do Safra, todos os bancos avaliados ficaram com nota 0, por não apresentarem nenhuma política sobre o tema.

Pela primeira vez, o guia incluiu o tema "Igualdade de Gênero", que leva em consideração as políticas para igualdade salarial, assédio e representatividade das mulheres em altos cargos administrativos, dentre outros. A maior nota foi 2,4, o que mostra que as políticas dessas instituições estão ainda muito aquém do esperado.

As notas em todos itens, assim como as avaliações de cada banco, estão disponíveis no site www.gbr.org.br . Quem não gostar da conduta do banco, pode reclamar. O site do GBR permite o envio de mensagens de satisfação ou insatisfação para os canais de reclamação de cada instituição, incentivando os bancos a tornarem suas práticas mais transparentes.

Sobre o Guia dos Bancos Responsáveis

Desde 2014, o GBR faz parte do Fair Finance Guide International (FFGI), que reúne organizações da sociedade civil em 11 países com o objetivo de responsabilizar as instituições financeiras pelos impactos de seus investimentos e serviços financeiros na sociedade e na natureza. No Brasil, também fazem parte da coalizão a Conectas Direitos Humanos o Instituto Sou da Paz.

No ranking geral, formado pelas médias de todos os bancos analisados em cada país, o Brasil ocupa a 7° posição, à frente do Japão e da Indonésia.

DINO Este é um conteúdo comercial divulgado pela empresa Dino e não é de responsabilidade do Terra
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