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Diesel é o principal custo do transporte e termômetro da inflação no Brasil

Combustível tem peso de 35% na composição na operação das transportadoras e, com isso, impacta diretamente no bolso dos consumidores

7 abr 2026 - 17h11
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O diesel representa, em média, 35% do custo operacional das transportadoras brasileiras — a maior fatia na estrutura de despesas do setor, segundo a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística).

Por ser o item de maior peso, o combustível é o fator determinante na formação do frete rodoviário: qualquer variação nas bombas reflete-se, quase imediatamente, no valor cobrado pelo serviço.

Quando o preço do diesel sobe, o custo por quilômetro rodado aumenta, pressionando o transportador a reajustar suas tarifas para manter a viabilidade do negócio. Assim, o preço do combustível impacta no transporte, no preço da mercadoria e, claro, no bolso dos consumidores.

Em 12 meses (até fevereiro de 2026), o diesel tipo S10 acumulou alta de 5,87%, sendo oferecido a uma média de R$ 6,11 por litro, conforme os índices nacionais de custos da NTC&Logística.

O impacto do preço do diesel por tipo de operação

A influência do combustível varia conforme o modelo de negócio:

  • Carga lotação: viagem dedicada a um único cliente. O impacto é direto, pois o custo está totalmente atrelado à distância percorrida. Em fevereiro de 2026, o Índice Nacional de Custos de Transporte de Carga Lotação (INCTL) avançou 1,36% no mês.
  • Carga fracionada: quando há diferentes encomendas no mesmo veículo. O peso do diesel é diluído entre outras despesas, como custos de terminais, coleta e distribuição. O Índice Nacional de Custos de Transporte de Carga Fracionada (INCTF) subiu 0,37% no mesmo período.

Além do combustível: outros fatores que encarecem o frete

Embora seja o protagonista, o diesel não atua sozinho. A operação rodoviária enfrenta uma escalada em outras frentes que pressionam as margens do setor. Entre eles estão os salários de motoristas — reajustados em 7% — e as despesas administrativas, que acumulam alta de 7,6% em 12 meses, segundo a NTC&Logística.

Além disso, a forma de contratação do frete influencia o repasse desses custos. Em operações com contratos mais estruturados, é mais comum a existência de mecanismos de reajuste. Já no mercado spot, o valor do frete pode variar de acordo com oferta e demanda, o que nem sempre permite repasse imediato das altas de custo.

Na prática, isso significa que o diesel funciona como um dos principais termômetros do frete no País: quando sobe, pressiona os preços; quando cai, abre espaço para redução — ainda que esse movimento nem sempre ocorra na mesma velocidade.

Como as transportadoras reduzem impacto do diesel

Para preservar as margens e reduzir a dependência do diesel, o setor tem investido em eficiência operacional. Segundo a GR Assessoria Contábil, as estratégias mais eficazes passam por investir na inteligência logística, com planejamento rigoroso de rotas para evitar trajetos longos ou estradas em condições precárias.

Outra estratégia é a logística reversa, com redução drástica das "viagens batendo lata" (caminhão vazio), buscando sempre cargas de retorno. Por fim, a aposta em manutenção e tecnologia, com investimento preventivos da frota para garantir o consumo ideal e uso de telemetria para identificar desperdícios e monitorar o desempenho dos motoristas.

Mesmo com esses ganhos de produtividade, o diesel permanece como o componente "soberano" na planilha de custos, sendo o fiel da balança para o valor do transporte no Brasil.

Estadão
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