Custo ainda é 'pedra no sapato' para renovar frota, dizem executivos
Em painel no ABX, Iveco, VWCO, Farizon e Scania apontam preço dos veículos, juros e diesel como entraves e cobram do próximo governo uma política de renovação de frota
Executivos do setor de caminhões apontam que juros altos, o preço do diesel e o encarecimento dos veículos pelas normas Euro 6 são os maiores entraves para renovar a frota brasileira. No evento ABX, líderes da Iveco, VWCO, Farizon e Scania defenderam ganhos de eficiência para mitigar despesas e cobraram políticas públicas para substituir veículos antigos. A transição para elétricos segue freada pelos custos extras, dependendo de paridade econômica com o diesel e maior previsibilidade.
O preço elevado dos caminhões, os juros e o custo do diesel seguem entre os principais obstáculos do transporte de cargas no Brasil. A avaliação é de executivos de Iveco, Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO), Farizon e Scania, que participaram do painel "A próxima marcha da indústria de caminhões", no Automotive Business Experience (ABX). A mediação foi de Giovanna Riato, editora-chefe do Jornal do Carro.
O debate integrou a Trilha Transporte e Gestão de Frotas e tratou dos impactos do PIB, do crédito, da logística, da transição energética e da concorrência global sobre o futuro dos veículos pesados. Participaram George Carloto, diretor comercial da Iveco; Leandro Pugliese, vice-presidente de estratégia corporativa, planejamento e sustentabilidade da VWCO; Rodrigo Pikussa, diretor-geral da Farizon; e Silvio Renan, diretor de vendas de soluções da Scania.
Para Carloto, o custo é "a grande pedra no sapato do transportador". Ele cita as mudanças ligadas ao Euro 6, a alta do diesel e o peso dos juros sobre veículos que já têm preço elevado. Segundo o executivo, a norma, equivalente à fase P8 do Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve) e em vigor no País desde 2023, encareceu os caminhões novos. Ainda assim, ele avalia que a tecnologia chega para trazer benefícios ao setor.
Pugliese faz leitura semelhante. Segundo ele, a busca por redução do custo total de propriedade (TCO, na sigla em inglês) e do custo do transporte é constante, enquanto novas demandas representam despesas extras. "As novas energias trazem esse custo adicional. Elas vão ser adotadas quando economicamente fizer sentido", diz. Para o executivo, o ponto de virada é alcançar a paridade com o diesel.
Para compensar, a indústria aposta em eficiência, com avanços na disponibilidade dos veículos, tanto do ponto de vista técnico quanto de conectividade. A meta, segundo Pugliese, é obter ganhos de pelo menos 3% a 4% a cada dois ou três anos para fazer frente ao aumento do custo dos produtos.
Elétricos ainda buscam espaço
Carloto defende uma política de renovação de frota e diz esperar do próximo governo uma pauta bem definida e um programa objetivo para substituir os veículos mais antigos. Sem renovação, afirma, o transporte perde eficiência. Para ele, caminhões muito velhos atrapalham a operação e a segurança e podem não chegar ao destino.
Pikussa concorda e acrescenta que o setor precisa de uma política clara para a eletrificação. Para o executivo da Farizon, também é necessário colocar a economia "nos trilhos" e dar previsibilidade aos clientes.
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