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Crime da Mala: réu não depõe em última audiência e cabeça de vítima segue desaparecida

Ricardo Jardim é acusado de matar e esquartejar Brasília Costa em Porto Alegre; encerrada a fase de instrução, Justiça decidirá se caso irá a júri popular

1 set 2026 - 20h34
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Resumo
A Justiça encerrou a fase de instrução do caso de Brasília Costa, morta e esquartejada em Porto Alegre, sem o depoimento do acusado, Ricardo Jardim, que optou pelo silêncio. A cabeça da vítima segue desaparecida. Jardim, já condenado anteriormente pelo assassinato da mãe, responde por oito crimes, incluindo feminicídio e ocultação de cadáver. O processo avança para as alegações finais, etapa após a qual a Justiça decidirá se o réu será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.

A terceira e última audiência de instrução do processo que apura a morte de Brasília Costa foi realizada nesta segunda-feira (31), no Foro Central de Porto Alegre, sem o interrogatório do principal acusado. Ricardo Jardim, de 66 anos, preso preventivamente desde setembro de 2025, informou por escrito que não queria se manifestar nesta etapa. Ele é acusado de matar a companheira, esquartejar o corpo e espalhar os restos mortais por diferentes pontos da Capital. Mais de um ano depois do crime, a cabeça da vítima ainda não foi localizada.

Foto: Reprodução/Redes Sociais / Porto Alegre 24 horas

Com o encerramento da fase de instrução, acusação e defesa terão dez dias cada para apresentar as alegações finais por escrito. Depois disso, caberá à Justiça decidir se Ricardo Jardim será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.

A Defensoria Pública, responsável pela defesa do réu, informou que irá se manifestar apenas no processo.

A audiência desta segunda-feira teve o depoimento, por videoconferência, de um inspetor da Polícia Civil responsável pela análise das imagens das câmeras de segurança da pousada onde Ricardo e Brasília viviam, na Zona Norte de Porto Alegre. O policial foi indicado como testemunha pela defesa.

Conforme o depoimento, o último registro de Brasília nas câmeras do estabelecimento ocorreu na manhã de 8 de agosto de 2025. A data é apontada pela investigação como o provável dia da morte da vítima.

Segundo a denúncia, Brasília e Ricardo mantinham um relacionamento amoroso e viviam na mesma pensão. A investigação sustenta que o publicitário matou a companheira e, posteriormente, desmembrou e descartou o corpo em diferentes regiões da cidade. Exames de DNA realizados durante a investigação confirmaram que os restos mortais encontrados pertenciam à vítima.

Restos mortais foram encontrados em diferentes regiões

O caso começou a ganhar dimensão em agosto de 2025, quando partes de um corpo foram encontradas na Rua Fagundes Varela, no bairro Santo Antônio, na Zona Leste de Porto Alegre. Braços e pernas estavam dentro de sacos plásticos, e os dedos haviam sido retirados, circunstância que inicialmente dificultou a identificação por impressões digitais.

Em 20 de agosto, uma mala contendo o tronco da vítima foi deixada no guarda-volumes da Estação Rodoviária de Porto Alegre. A bagagem permaneceu no local até 1º de setembro, quando funcionários perceberam um forte odor e localizaram os restos mortais.

Câmeras de segurança registraram o homem responsável por deixar a mala no terminal. Conforme a investigação, as imagens foram fundamentais para relacionar Ricardo Jardim ao caso. O suspeito teria utilizado documentos falsos para registrar a bagagem.

Outras partes do corpo foram encontradas posteriormente na Zona Sul de Porto Alegre. Em 6 de setembro, uma perna foi localizada na Praia de Ipanema. No dia seguinte, pescadores encontraram outro segmento de perna e um pé. Exames periciais relacionaram os restos mortais à vítima.

Apesar das buscas realizadas pelas autoridades, o crânio de Brasília nunca foi encontrado. A polícia chegou a realizar buscas em depósitos de resíduos após informações fornecidas durante a investigação, mas não conseguiu localizar a parte que ainda faltava.

Réu responde por oito crimes

Ricardo Jardim foi preso preventivamente em 4 de setembro de 2025, em uma pousada no bairro São João, na Zona Norte da Capital. A Polícia Civil concluiu que ele teria agido sozinho desde a morte até a ocultação e dispersão dos restos mortais.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou Jardim por oito crimes. Além de feminicídio no contexto de violência doméstica, com agravantes relacionados à idade da vítima e ao recurso que teria dificultado a defesa, ele responde por vilipêndio e ocultação de cadáver, falsa identidade, falsificação de documentos, uso de documentos falsos, invasão de dispositivo informático e furto. A denúncia foi recebida pela Justiça em novembro de 2025.

O acusado já tinha uma condenação anterior por homicídio. Em 2018, Ricardo Jardim foi condenado a 28 anos de prisão pela morte da própria mãe, ocorrida em 2015. Segundo a investigação daquele caso, o corpo da mulher foi concretado após o crime. Ele havia progredido para o regime semiaberto em janeiro de 2024.

Brasília Costa tinha 65 anos e trabalhava como cabeleireira e manicure. O sepultamento ocorreu somente em janeiro de 2026, em Jaguarão, no Sul do Estado. A família aguardou por meses na expectativa de que a cabeça fosse encontrada antes da despedida.

Agora, com o fim das audiências de instrução, o processo entra na fase de alegações finais. Após as manifestações do Ministério Público e da defesa, a Justiça deverá definir se existem elementos suficientes para levar Ricardo Jardim a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Porto Alegre 24 horas
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